13/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Reserva Mamirauá, em Tefé (AM), receberá o Observatório Magnético da Amazônia

Publicado em 09 de outubro, 2012

A observação das tempestades magnéticas provocadas por explosões solares, intensas na área, fizeram com que o Observatório Nacional decidisse instalar na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá o Observatório Magnético da Amazônia. A RDS fica em Tefé (AM) e o trabalho deve ser concluído até 2013. Os primeiros equipamentos foram instalados no campus do Instituto Mamirauá e já estão gerando os primeiros dados sobre a intensidade do campo magnético do planeta.

A localização privilegiada da RDS Mamirauá a insere no mapa científico internacional com o Observatório da Amazônia

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e o Observatório Nacional são unidades de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A decisão de instalar no local o observatório se deve à localização privilegiada para estudos de geomagnetismo. O equipamento ficará nas proximidades da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) e do equador magnético. A AMAS é a região onde o campo magnético apresenta a menor intensidade de todo o globo, anomalia causada no interior profundo da Terra pela dinâmica do núcleo externo, que é líquido. Já o equador magnético é a região onde o campo é totalmente horizontal, ou seja, onde a inclinação magnética é nula. As tempestades magnéticas são muito intensas nesta área.

O coordenador do Núcleo de Inovações Tecnológicas Sustentáveis do Instituto Mamirauá, Josivaldo Modesto, afirma que a coleta de dados magnéticos vai permitir pesquisas sobre as tempestades magnéticas causadas por explosões solares. Estas tempestades podem causar problemas na comunicação por rádio, em satélites, imprecisão em dados de GPS e queda na rede elétrica. “O observatório trará dados inéditos da intensidade do campo magnético, assim como os ângulos de declinação e inclinação magnéticas e outras componentes do campo, fundamentais para pesquisas sobre fenômenos pouco conhecidos”, afirma Josivaldo.

Outra coordenadora do projeto, Katia Pinheiro, do Departamento de Geofísica do Observatório Nacional, lembra que a literatura sobre tempestades e fenômenos como o eletrojato equatorial é escassa e muitos acontecimentos são ainda desconhecidos. “Com a instalação deste novo observatório, planejamos uma melhor estimativa das características das tempestades solares e da região do equador magnético”, disse.

Josivaldo afirma que há um esforço mundial na instalação de observatórios magnéticos devido à futura missão do satélite SWARM, que será lançado em novembro de 2012, tendo como missão exclusiva analisar o campo magnético global. A desigual distribuição de observatórios magnéticos no globo é uma grande limitação para a análise conjunta de dados na superfície terrestre e de satélites, necessária para uma melhor compreensão sobre o campo magnético da Terra.

O Brasil tem dois observatórios magnéticos. O primeiro, fundado em 1915, fica em Vassouras, no Rio de Janeiro, e o segundo fica em Tatuoca, no Pará. Um novo observatório será inaugurado, nos próximos dias, no Estado do Mato Grosso. O Observatório Magnético da Amazônia cobrirá uma grande área, onde não existem observatórios, e terá suas instalações definitivas concluídas até maio de 2013.

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