
Wilson Lima anuncia polícia na rua para até prender quem desobedecer isolamento. Foto: Divulgação
O governador do Amazonas, Wilson Lima, reafirmou neste sábado (4) o que vem dizendo desde o início da semana: continua vigente no Amazonas o decreto estadual que determina a suspensão do funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais. A medida é necessária para conter o avanço do novo coronavírus (Covid-19).
Mas em razão de muitos comerciantes não estarem atendendo ao decreto, infringindo o mesmo e até colocando em risco a população, fazendo aglomeração de pessoas, Wilson Lima anunciou neste sábado (4) que as forças de segurança do Estado estarão com grandes operações nas ruas a partir de hoje, para fechar estabelecimentos não essenciais que insistem em abrir.
“Toda nossa força de segurança estará nas ruas, Polícia Militar e Polícia Civil, Procon, Corpo de Bombeiros, com o aparato, e vão poder multar quem desrespeitar o decreto. Se necessário, será levado para a delegacia”, explicou Wilson Lima, antecipando que poderão ocorrer prisões pelo descumprimento das medidas.
Ele frisou que a prioridade neste momento é a saúde, mas que o Estado estuda meios de recuperar a economia, alinhado com todos os setores produtivos.
“A vida das pessoas está em primeiro lugar e é isso que nós colocamos aqui e deixamos muito claro, disso nós não abrimos mão. Primeiro cuidamos da vida das pessoas, e depois entendemos como vamos caminhar com as atividades econômicas que são fundamentais. Nós estamos tomando medidas que são duras, não há nenhuma decisão fácil neste momento, mas elas são importantíssimas e devem ser tomadas, de forma muito responsável”, destacou ele, ao frisar que todas as determinações seguem orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde e órgãos estaduais de saúde.
Os representantes da área da saúde reforçaram a necessidade de manter o isolamento social da população e que os empresários apoiem as medidas dos governos estadual e municipais de restrição de circulação de pessoas, conforme recomendações da Organização Municipal de Saúde (OMS).
O secretário estadual de Saúde, Rodrigo Tobias, disse que o sistema de saúde do Amazonas, assim como em qualquer outro lugar do mundo, não está preparado para uma explosão de casos do novo coronavírus, se todos adoecerem num curto espaço de tempo.
Ele apresentou projeções feitas pela Susam que mostram que o isolamento social pode reduzir em 31% o número de infectados em Manaus e região metropolitana. O mesmo estudo mostra que, sem a medida de restrição de circulação de pessoas, 22 mil pessoas poderão precisar de UTI. Se isso acontecer num curto espaço de tempo, aumentaria a possibilidade de óbitos já que o sistema de saúde não suportaria a demanda.
A diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Rosemary Costa Pinto, destacou que neste início da epidemia no Estado poucos casos positivos têm mais de 60 anos e a população mais atingida pelo novo coronavírus está na faixa-etária de 30 a 49 anos. “A nossa força de trabalho é que está sendo atingida, não são os idosos nem as crianças”, disse.
O médico e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas e da Fiocruz, Marcus Lacerda, que conduz pesquisa do uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 no estado, ressaltou que a maioria das pessoas será contagiada pelo vírus mas é necessário que seja de forma lenta, daí a necessidade da redução do contato entre pessoas.
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