11/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pesquisador da cloroquina revela que não há posologia definida e que cada paciente fica no respirador até 21 dias

Publicado em 30 de março, 2020

Pesquisador da cloroquina

Pesquisador da cloroquina, Marcus Lacerda, deixou claro que ainda não há segurança quanto à dosagem da cloroquina e pediu mais isolamento. Na foto, a presidente da FVS apresenta gráficos do Coronavírus no Amazonas. Foto: Diego Peres/ Secom/ Divulgação

Os participantes da reunião desta segunda (30/03), no gabinete do governador, prenderam a respiração para ouvir técnicos de saúde. O ambiente eletrizou quando falou o médico e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical e da Fiocruz, Marcus Lacerda. Ele monitora a aplicação da cloroquina, usado no Amazonas contra a malária, nos pacientes graves de Covid-19. “É cedo para falar em cura. Estamos experimentando posologias diferentes, em vários pacientes, até estabelecer um protocolo”, revelou.

Marcus Lacerda fez coro com o secretário estadual de Saúde, Rodrigo Tobias, e a presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Rosemary Costa Pinto, para que as medidas de isolamento sejam mantidas. “Um paciente usa o respirador entre 14 e 21 dias”, explicou, tirando a ideia de que o aparelho vagaria no dia seguinte.

 

Mundo não estava preparado

Rodrigo Tobias lembrou que o sistema de saúde do Amazonas, como qualquer outro do mundo, não está preparado para explosão de casos.  Ele apresentou projeções da Susam mostrando que isolamento social pode reduzir em 31% o número de infectados em Manaus e Região Metropolitana. O mesmo estudo mostra que, sem restrição de circulação, 22 mil pessoas poderão precisar de UTI. “Se isso acontecer num curto espaço de tempo, aumentaria a possibilidade de óbitos”, disse.

Rosemary Costa Pinto destacou que poucos casos positivos têm mais de 60 anos e a população mais atingida está entre 30 e 49 anos. “A nossa força de trabalho é que está sendo atingida. Não são os idosos, nem as crianças”, disse.

Marcus Lacerda ressaltou que a maioria das pessoas será contagiada pelo vírus, mas é necessário que seja de forma lenta. Daí a necessidade da redução do contato entre pessoas.

A explanação dos técnicos em saúde deixou em participantes do encontro, ouvidos pelo portal, a certeza da necessidade de prorrogação das medidas de contenção. “Vamos viver o dia-a-dia e avaliar cada coisa a seu tempo”, disse um deles, que preferiu não se identificar.

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