
Lojas e restaurantes lançam vouchers e vendas antecipadas para driblar crise com Covid-19
Em tempos de isolamento social e quarentena, como se reúnem as pessoas? Como se mantém pequenos e médios negócios, muitos colaborativos, diante de uma pandemia do novo coronavírus?
Criatividade, show de ideias e iniciativas tecnológicas são algumas das armas contra o vírus e toda a sequência de fechamentos de lojas e comércios promovidas para o bem estar e na busca de conter a pandemia no Amazonas.
Nas redes sociais, os empresários lançam mão de voucher promocional, vaquinha virtual, delivery, atendimento pré-agendado e lives com prêmios para não deixar a bola cair. Em Manaus, após uma semana de portas fechadas, empresários de diversos ramos na capital, buscam na criatividade, às vezes com uma pegada cabocla, meios de minimizar seus prejuízos econômicos.
Muitas empresas foram pegas de surpresa pela ação enérgica de fechamento do comércio – menos os serviços essenciais -, porém necessária, por parte do governo estadual. Outras traçaram estratégias para abrandar o período recessivo. Não bastou um dia, após a publicação do ato, para ideias empreendedoras surgirem. E muitas delas utilizando as redes sociais como ferramenta para informar e buscar clientes para esse novo período.
Cresceram os serviços de delivery e home office. Empresas se adaptaram e uma de eletrodomésticos, como a Bemol, passou a vender cestas básicas, sempre com a opção de entrega a domicílio. Tem cafeterias vendendo voucher para aquisições futuras; panificadoras recebendo encomenda de café da manhã pré-agendado; restaurantes usando e abusando no menu e no delivery, entre outras. A roda da economia não pode parar.
Com pouco tempo no mercado, e com atendimento apenas presencial, a Padoca Pães Artesanais sentiu fortemente “crise da Covid-19”. Mas foi em meio à queda que surgiu a ideia de inovar e manter o produto no mercado com delivery, que antes não existia.
Usando as redes sociais como ferramenta, a loja começou a receber encomendas de café da manhã para entrega a domicílio. “Ninguém estava preparado para fazer delivery, mas para uma empresa fechar as portas é muito difícil, somos uma panificadora nova. Tivemos que investir não só no delivery, como também na qualidade de prestação desse serviço”, destacou a empresária Ana Cristina Galotta.
Segundo André Galotta, irmão e sócio da Ana Cristina, caso estivessem de portas fechadas completamente, o prejuízo estimado seria de 100% financeiramente. Apesar do investimento, a nova modalidade só cobre 20% das despesas da Padoca.
Também preocupado em manter as contas em dia e o contrato com funcionários, o Kalena Cafeteria criou o chamado “Helpcard”. O cliente adquire uma espécie de cartão de compra antecipada, e em uma data futura pode utilizar o bônus pago antecipado, ganhando itens adicionais além do valor pago.
Carne e cervejaAlém de criativo, solidário, o restaurante 24Do4 Grill & Wine, está oferecendo 20% de desconto para pedidos feitos por agentes de saúde em plantões em hospitais da capital, a partir das 18h. Não há taxa de entrega. Eles fazem delivery e o sistema take away, onde você faz o pedido e apenas retira no local.
Outro restaurante que passou a atender a domicílio no período foi o La Vaca Negra, criando vários combos para o delivery em casa, oferecendo uma “experiência argentina” para duas ou uma família. Entre os combos há o Cena Romântica, La Família Porteña, Portuñol e Cerveja y Amigos. Eles incluem bebidas no pacote e recebem pedidos pelo WhatsApp.
Especializada em cervejas artesanais e importadas, o Beers & Beer ampliou a operação de take away, com descontos para quem levar chopes, cervejas e pizzas. Quem quiser encher um growler da casa com chope ganha 15% e a linha de cerveja tem 20%. O delivery não tem taxa de entrega. A maioria dos serviços atende pelos aplicativos iFood, Rappi e Uber Eats.
“Toda segunda-feira começa mais feliz por ver vocês entrarem por aquela porta. No entanto, com o Covid-19 tivemos que fechar. E as contas que eram pagas com o consumo diário de todo mundo que gosta da gente, continuaram vindo. E estamos na beira de um colapso. Precisamos de ajuda. Uma empresa de pequeno ou médio porte não consegue sobreviver fechada. Não existe planejamento para isso em nenhuma realidade possível”, diz parte do texto postado do Kalena nas redes sociais.
A mesma realidade também passa “O Futuro Café”, empresa que criou cards e vouchers promocionais. Uma campanha chamada “SOS bares e restaurantes” foi pensada para chamar atenção da população. De acordo com as empresas do setor, o objetivo é sensibilizar as autoridades para preservação de milhões de empregos.
No mesmo estilo, o restaurante Umê, no Manauara Shopping, lançou uma série de vouchers para serem comprados e usados posteriormente, a partir de junho. Os destaques das vendas antecipadas são que elas envolvem descontos e promoções que não estão no cardápio.
“Aqui no Umê, somos um time de 23 colaboradores diretos, contudo, com o Covid-19 tivemos que fechar e nossos custos permanecem, dessa forma, precisamos da sua ajuda para estabilizar nossos empregos e sonhos. Quando tudo isso passar, estaremos aqui de prontidão para servi-los e comemorar com vocês com abraços apertados, joinhas, apertos de mão e os cumprimentos descolados que desejarem”, diz o restaurante, lançando venda antecipada que pode ser resgatada assim que a casa reabrir.
Os empresários pedem garantias do governo para minimizar os danos causados pelos dias de paralisação. Dentre os pedidos estão o pagamento de funcionários durante a paralisação (seja por FAT, seguro Desemprego ou outra modalidade); suspensão de todas as obrigações de pagamento de impostos pelos próximos 90 dias; criação de linha de crédito pelo Estado, entre outros.
De acordo com uma carta enviada nesta quinta-feira (27), pelas setores representantes da indústria e comércio do Amazonas, direcionada ao governador Wilson Lima, somente na publicação do primeiro decreto, o prejuízo no setor comercial chegou a 40%.
Na carta, os representantes pedem ainda a inclusão de outras atividades comerciais como essenciais, além da abertura parcial do comércio a partir do próximo dia 30. O Governo do Estado ainda não se manifestou sobre os pedidos.
Na área cultural, alguns artistas criaram playlists para reunir sons do Norte, para que possam se conectar com as pessoas, mesmo não podendo por corpo, mas pela alma e música.
A play está disponível no site https://spoti.fi/3buTY3x., e o grupo sugere que as pessoas compartilhem álbuns, divulguem o trabalho, comprem ingressos solidários em tempos de pandemia, tudo para apoiar um grupo que vive do trabalho de fazer cultura.
No post de divulgação da playlista, eles falam que há “trabalhos de Cílio, da banda “Casa de Caba”, “Cadê A Morena” com a banda Alaídenegão, “Virou o Zoinho (VICIEI)” com a cantora paraense Luê, seu amado Mateo (Francisco El Hombre), Luísa e os Alquimistas e uma outra galera massa, e ainda “Teu Cheiro Pairar” de Karen Francis, “Jamburana” com a rainha do carimbó chamegado Dona Onete, e muitos outros artistas do Amazonas, Acre, Boa Vista, Belém do Pará, Amapá, etc como Ian Lecter, Raízes Caboclas, Jamrock, Euterpe, Patrícia Bastos, Antonio Bahia, Bel Martine, Dan Stump, Gabi Farias, Manoel Cordeiro, Sindicato dos Artistas Carentes, Leila Pinheiro, Karine Aguiar, Gil Valente, Victor Xamã…. tá um barato total! Então, partiu?!”
Reportagem: David Batista
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