
Família Oliveira muda estratégia, com a prisão de Givancir (sentado). Élcio Campos (em pé atrás dele) assume a presidência. Josildo (camisa verde) é o líder intelectual da família e Mossoró (olhando o celular) renunciou, tentando driblar a exposição da família
Élcio Campos Rêgo é presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano e Rodoviários de Manaus, Sindicato dos Rodoviários. Ele assume o cargo depois que o presidente Givancir Oliveira foi preso, acusado de assassinato. O vice-presidente, irmão de Givancir, Josenildo de Oliveira e Silva, o Mossoró, pediu afastamento, de 06/03/ a 06/04. É o tempo de a assembleia geral escolher presidente para o restante do mandato de Givancir.
Élcio Campos tem praticamente o DNA da Família Oliveira. É o mais próximo deles, entre todos os 3,5 mil sindicalizados. Tanto que ocupa cargos-chaves em todas as diretorias que eles presidem.
O presidente em exercício já anunciou meta bem definida: quer 10% de reajuste para os associados, na convenção coletiva 2020/2021. Nas discussões desses reajustes, historicamente, os Oliveira paralisam o sistema de transporte de Manaus, até obter o que querem.
A Família Oliveira, potiguar de Mossoró, preside motoristas e cobradores de ônibus em Manaus há mais de década. Ela é formada por Givancir, o ex-presidente Josildo Oliveira, o vereador Jaildo dos Rodoviários e Mossoró.
Agora apareceu Geinivan de Oliveira Silva Rodrigues, conhecido como Geine Oliveira (PCdoB), vereador em Iranduba. Givancir, antes de ser preso, queria ser prefeito do Município. Geine assumiu em lugar de Luis Carlos (PT), que renunciou ao mandato. Josildo foi candidato, sem conseguir a eleição, a deputado estadual pelo PCdoB, em 2018.
A família realizou mais de 50 paralisações do transporte coletivo de Manaus. Seus integrantes foram perto de dez vezes afastados e reconduzidos à presidência. Sobre eles pesa suspeita de fraude.
Em 2013, o diretor financeiro do Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Manaus (Sinetram), César Tadeu Teixeira, os acusou de pedir propina. Pediriam R$ 40 mil a R$ 125 mil para não fazer greve no transporte coletivo. O esquema ilícito foi denunciado e ratificado pelo diretor.
Givancir Oliveira, conhecido pela truculência, acumula processos na Justiça. É acusado de tráfico de drogas, ameaças, injúria e infração prevista no Estatuto do Idoso.
O agora ex-presidente não é mais réu primário. Foi condenado pela Justiça Federal por obstruir cumprimento de decisão judicial. Oficial da Justiça do Trabalho cumpria mandado de penhora de dinheiro na empresa de ônibus Soltur. O dinheiro era para pagamento dos funcionários e Givancir impediu entrada do oficial e até da Polícia Federal na empresa.
Desta vez, Givancir teria matado a tiros Bruno de Freitas Guimarães, 24 anos, em Iranduba. Bruno seria suspeito de participar do assalto à casa dele, de onde teriam sido levados R$ 200 mil. Ele teve a prisão decretada pelo juiz Antônio Itamar de Souza Gonzaga, a pedido do promotor de Justiça Leonardo Abnader.
Veja, abaixo, o ato de afastamento de Josenildo:
