08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Sobrevivente diz que presidente dos Rodoviários participou de assassinato. Givancir se apresenta à polícia

Publicado em 02 de março, 2020

Sobrevivente diz que o presidente dos Rodoviários, Givancir Oliveira (ao centro), participou de assassinato. Givancir Oliveira. Foto: Reprodução/Facebook

Delisson dos Santos Freitas, de 23, sobrevivente do crime que resultou na morte de seu primo, Bruno Guimarães de Freitas, de 24 anos, afirmou, em depoimento, que foi o próprio Givancir Oliveira quem disparou contra eles. Na tarde desta segunda-feira (2), o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) informou ser favorável à prisão de Givancir, que é presidente do Sindicato dos Rodoviários. Também na tarde desta segunda, Givancir se apresentou à polícia.

O pedido de prisão foi feito pela Polícia Civil. Conforme o depoimento de Delissem, outros dois suspeitos, entre eles uma mulher, também participaram do crime. O crime acontece na noite do último sábado (29), no Km 6 da Rodovia Carlos Braga, na cidade de Iranduba (a 27 km de Manaus).

De acordo com a vítima, ele e o primo foram à casa do presidente dos Rodoviários receber R$ 400, minutos após Delisson ter falado com Givancir por meio de mensagens por aplicativo, perguntado se poderia ir ao local receber o valor. Givancir teria respondido que sim.

Quando os primos chegaram ao imóvel, foram recebidos por um funcionário de Givancir, identificado como ‘Binda’, que, prontamente, entregou R$ 250 para Delisson.

“Givancir pediu para que fossemos rápido, porque ele já estava de saída. ‘Binda’ chegou apenas com R$ 250, sendo com uma nota de R$ 100 rasgada. Mandei devolver, e disse que precisava do dinheiro, pois eu tinha trabalhado e precisava receber meu dinheiro aquele dia. Eu e ‘Binda’ discutimos e eu disse que se não recebesse meu dinheiro naquele dia, eu iria procurar meus direitos na justiça”, afirmou Delisson Freitas, no depoimento.

A dupla saiu do imóvel. Já nas proximidades do Ramal dos Seus, um veículo bateu na traseira da motocicleta em que Delisson e o primo Bruno estavam. Os dois caíram na lateral da pista. Em seguida, um homem encapuzado desceu do veículo, exigindo que Delisson entregasse o celular. Ele se negou e deu início a uma luta corporal com o suspeito.

Segundo a vítima, foi nesse momento que ele conseguiu puxar do rosto do homem a blusa que servia como capuz. “Foi aí que eu percebi que era o próprio Givancir. Sendo que eu já havia reconhecido ele pela bermuda. Além de Givancir, uma mulher e outro cara atiraram contra meu primo. Ele sabe que eu vi o rosto dele. Givancir puxou o gatilho eu fui atingido com três tiros nas costas e outro de raspão”, disse o sobrevivente.

Momentos antes de morrer, Bruno chegou a afirmar que o mandante do crime seria Givancir Oliveira, que era ex-patrão das vítimas.

De acordo com Delisson, ele é o primo realizavam serviços gerais na casa do presidente dos Rodoviários. Na ocasião do crime, o primo teria ido levá-lo apenas para ele receber o dinheiro.

Bruno pilotava uma motocicleta e Delisson estava na garupa. Ambos foram baleados e abandonados no local dos disparos.

Delisson está internado no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na zona Centro-Sul de Manaus. O caso corre em segredo de justiça.

Mandado de prisão

Na manhã de domingo (1º), a Polícia Civil pediu o mandado de prisão preventiva de Givancir Oliveira. Nesta segunda, o Ministério Público do Amazonas, representado pela 2ª Promotoria de Justiça de Iranduba, apresentou parecer favorável ao pedido de prisão. O parecer, assinado pelo promotor de Justiça Leonardo Abnader, foi apresentado no início da tarde.

Também na tarde desta segunda, Givancir Oliveira se entregou à polícia de Iranduba. Aos gritos de “assassino” e  “justiça”, a família da vítima e moradores cercaram e ameaçam invadir a delegacia da cidade. O grupo FERA foi acionado para fazer reforço policial no local.

Hipóteses do crime

Varias hipóteses foram levantadas após o crime. Uma delas seria sobre uma suposta relação das vítimas com o assalto ocorrido na casa de Givancir, há aproximadamente um mês, quando R$ 200 mil, em espécie, teriam sido levados do imóvel.

Uma outra hipótese foi de que o presidente dos Rodoviários teria um relacionamento com Delisson, que seria homossexual.

Reportagem: David Batista

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