06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

‘Tirou a vida do meu filho por mixaria’, diz mãe, ao acusar o presidente dos Rodoviários

Publicado em 05 de março, 2020

Na delegacia, a mãe de Bruno pediu justiça. Foto: Divulgação

A Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, de 44 anos, nesta quinta-feira (5). Ele está preso sob suspeita de participação no homicídio de Bruno de Freitas Guimarães, que tinha 24 anos. Durante as buscas na residência, os policiais encontraram armas, munições e granadas. Na 31ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Iranduba, a mãe da vítima pediu justiça. “Ele tirou a vida do meu filho por mixaria”, disse.

O delegado Geraldo Eloi, titular da 31ª DIP, informou que o mandado de busca e apreensão foi cumprido na manhã desta quinta-feira, depois que a Polícia Civil recebeu autorização do Judiciário. “Eu representei, após ouvir algumas pessoas, pelo mandado de busca e apreensão na residência do suposto acusado”, afirmou o delegado, em coletiva de imprensa, na tarde desta quinta.

Na casa, os policiais foram recebidos por uma pessoa que se disse responsável pela segurança do imóvel. A polícia começou as buscas pelo quintal da residência, revistando as pessoas que estavam na área externa e vistoriando três veículos estacionados na garagem. “Foram encontrados armamentos, munições, nos veículos. E as pessoas, que se identificaram como policiais militares, estavam portando armas”, informou o delegado.

As pessoas que estavam no local afirmaram que não tinham acesso à área interna do imóvel, mas os policiais conseguiram entrar por uma porta que estava aberta. “O responsável pelo local acompanhou todas as buscas”, destacou o delegado.

Depois de concluir a revista na casa, a polícia apreendeu oito armas de fogo: quatro pistolas, de diferentes calibres, dois revólveres e duas espingardas calibre 12, uma delas com a numeração raspada.

Quando a equipe estava de saída, um carro chegou à casa. No veículo, os policiais encontraram mais armamento. “Fizemos abordagem ao veículo. Estava ocupado por um motorista que se identificou como policial militar e disse que não estava armado, mas, na abordagem ao veículo, encontramos um revólver, pistola, espingarda calibre 12, e algumas granadas de efeito moral – duas granadas de pimenta e duas de lacrimogêneo –  além de munição calibre 12, munição antimotim”, disse o delegado.

A cinco pessoas revistadas foram presas em flagrante. Quatro delas dizem ser policiais militares, e que são donas das armas apreendidas. O grupo teria sido contratado para proteger o imóvel de possíveis depredações. Depois que Givancir foi acusado de participação no crime, moradores de Iranduba se revoltaram.

O grupo preso deverá ser autuado por posse e porte ilegal de fogo. Os suspeitos, que não resistiram à prisão, ficarão na Delegacia de Iranduba.

A Polícia Civil também apreendeu os quatro carros que estavam no local.

Parte do armamento apreendido é de uso proibido. O delegado afirmou que somente a perícia revelará se entre as armas apreendidas há alguma que teria sido usada no crime.

Mãe pede justiça

Presente na delegacia no momento da coletiva, Adriana Freitas, mãe de Bruno, confirmou que o filho levou o sobrinho dela, Dellison dos Santos Freitas, de 23 anos – que sobreviveu – à casa de Givancir para receber dinheiro. Dellison costumava prestar serviços domésticos no local.

Em depoimento, o sobrevivente teria dito que foi à casa de Givancir receber R$ 400. Quando os primos chegaram ao imóvel, foram recebidos por um funcionário do presidente dos Rodoviários, identificado como ‘Binda’, que, prontamente, entregou R$ 250 para Delisson.

“Givancir pediu para que fossemos rápido, porque ele já estava de saída. ‘Binda’ chegou apenas com R$ 250, sendo com uma nota de R$ 100 rasgada. Mandei devolver, e disse que precisava do dinheiro, pois eu tinha trabalhado e precisava receber meu dinheiro aquele dia. Eu e ‘Binda’ discutimos e eu disse que se não recebesse meu dinheiro naquele dia, eu iria procurar meus direitos na justiça”, afirmou Delisson Freitas, no depoimento.

O jovem se recusou a receber e saiu do local. No caminho, ele e o primo foram surpreendidos por atiradores.

“O meu filho era uma criança inocente. Ele tirou a vida do meu filho por mixaria. Meu filho nunca tinha ido no portão desse homem. Meu filho nunca foi lá. Foi a primeira vez. Toda vez que o Dellison ia cobrar, ele levava alguém com ele. E, dessa vez, foi meu filho, que foi dirigindo a minha moto. Só deu uma carona pra ele. E a moto está aqui, toda suja de sangue”, disse a mãe de Bruno.

Segundo Adriana, a família não se surpreendeu com as apreensões feitas na casa de Givancir.

Dellison também é conhecido como ‘Ellóa’, por ser travesti, e chegou a ser identificado como mulher no dia dos disparos. Após o crime, inclusive, surgiu suspeita de que Givancir teria mandado matar a travesti porque teria um caso com ela.

Bruno (esquerda) e Delisson foram surpreendidos com vários disparos de arma de fogo. Foto: Divulgação

O crime

O crime aconteceu no dia 29 de fevereiro deste ano, na comunidade São Sebastião, em Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus). Na ocasião, Bruno e ‘Ellóa’ foram baleados. Bruno morreu a caminho do hospital. ‘Elló foi levada para o hospital. Antes de morrer, testemunhas dizem que o rapaz indicou Givancir como autor do crime.

A sobrevivente também acusa Givancir.

Givancir Oliveira. Foto: Reprodução/Facebook

Prisão temporária

Givancir foi preso na noite da última segunda-feira (2), por volta das 18h, por policiais da 31ª DIP. A prisão é temporária, o que significa que vai durar 30 dias.

O delegado Eloi acredita que deve concluir o inquérito policial nesse intervalo, para enviar o documento, indicando a autoria e participações no crime, à Justiça. Ele deverá ouvir mais pessoas, durante a apuração. Entre elas, o sobrevivente do crime. “O objetivo principal aqui é dizer se o Givancir Oliveira foi o autor do crime, mandante ou teve participação”, destacou o delegado.

Todo o material apreendido nesta quinta-feira será usado no inquérito.

Questionado, o delegado informou que, em seu depoimento, Givancir nega participação no crime e se diz inocente.

Durante o inquérito familiares elogiaram a atuação da Polícia Civil, do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), do juiz Carlos Jardim no caso.

Material apreendido na casa de Givancir nesta quinta-feira. Foto: Divulgação

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