19/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Brasil tem morte por febre hemorrágica após 20 anos; MS diz que não há alerta

Publicado em 21 de janeiro, 2020

O diretor do departamento de vigilância das doenças transmissíveis do ministério da saúde, Júlio Croda, esclareceu dúvidas sobre arenavírus, nesta terça. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (21), o Ministério da Saúde (MS) que não há alerta específico para a população depois da confirmação de um caso de febre hemorrágica no Brasil. No dia 11 deste mês, um morador de Sorocaba (SP) morreu em decorrência de complicações causadas pela doença – que apresentou cerca de 90% de similaridade com o arenavírus, da espécie Sabiá. O último relato de caso de febre hemorrágica brasileira foi há mais de 20 anos.

Nessa segunda-feira (20), a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do MS informou que a morte foi comunicada no dia deste mês, pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (SES/PSP) – que solicitou apoio do Ministério da Saúde para o acompanhamento do caso.

O ministério afirmou que o trata-se de um evento isolado e que a transmissão da doença é restrita. “Nesse momento, não há risco para trânsito de pessoas, bens ou mercadorias a nível nacional ou internacional”, diz o MS, em seu site institucional.

Ainda de acordo com o ministro, o Brasil não registrava a doença há 20 anos. Nesse período, foram quatro casos em humanos, sendo três casos adquiridos em ambiente silvestre no estado de São Paulo e um por infecção em ambiente laboratorial, no Pará.

Morte

A doença é considerada extremamente rara e de alta letalidade, e o tratamento é de acordo com o quadro clínico e sintomas do paciente.

O período de incubação da doença é longo (em média de 7 a 21 dias) e se inicia com febre, mal-estar, dores musculares, manchas vermelhas no corpo, dor de garganta, no estômago e atrás dos olhos, dor de cabeça, tonturas, sensibilidade à luz, constipação e sangramento de mucosas, como boca e nariz. Com a evolução da doença pode haver comprometimento neurológico (sonolência, confusão mental, alteração de comportamento e convulsão).

Entre o início dos sintomas (30/12/2019) e o óbito (11/01/2020), a pessoa que morreu passou por três diferentes hospitais, nos municípios de Eldorado, Pariquera-Açu e São Paulo, sendo o último o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM USP). Não houve histórico de viagem internacional.

Durante seu atendimento foram realizados exames para identificação de doenças, como febre amarela, hepatites virais, leptospirose, dengue e zika. Contudo, os resultados foram negativos para essas doenças. Foram realizados exames complementares no Laboratório de Técnicas Especiais do Hospital Albert Einstein que identificou o arenavírus, causador da febre hemorrágica brasileira. Esse resultado foi confirmado pelo Laboratório de Investigação Médica do Instituto de Medicina Tropical do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e Instituto Adolfo Lutz.

Além disso, a SVS/MS já comunicou o fato à Organização Mundial de Saúde e à Organização Pan-americana da Saúde (OMS/OPAS), conforme protocolos internacionais estabelecidos.

Situação atual

De acordo com o Ministério da Saúde, o que se sabe é que as pessoas contraem a doença possivelmente por meio da inalação de partículas formadas a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. A transmissão dos arenavírus de pessoa a pessoa pode ocorrer quando há contato muito próximo e prolongado ou em ambientes hospitalares, quando não utilizados equipamentos de proteção, por meio de contato com sangue, urina, fezes, saliva, vômito, sêmen e outras secreções ou excreções.

Os funcionários dos hospitais por onde o paciente que morreu passou estão sendo monitorados, e avaliados, assim como os familiares do caso confirmado em São Paulo.

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