06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Citado por Hoffmann, José Ricardo aguarda calendário do PT para se lançar pré-candidato a prefeito 

Publicado em 18 de janeiro, 2020

José Ricardo Wendling aguarda a aprovação do calendário do partido para dar início à construção do seu plano de gestão Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O deputado federal José Ricardo Wendling  (PT-AM) está pré-candidato à Prefeitura de Manaus, mas aguarda a aprovação do calendário do partido, que deve orientar os diretórios municipais sobre as indicações locais. Ao Portal do Marcos Santos, o petista afirmou que outros dois nomes poderão ser apontados pelo Diretório Municipal, mas o seu já foi citado pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

Neste fim de semana, o PT promove reuniões em São Paulo, quando deve definir o calendário. No final da reunião desta sexta-feira (17), a sigla anunciou os nomes dos integrantes do Diretório Nacional e da Comissão Executiva. “Eles vão, certamente, aprovar o calendário, de encaminhamentos do processo eleitoral: da escolha de candidatos, das indicações dos candidatos do PT para prefeitos, vereadores em todo o Brasil”, informou Wendling, informando que neste sábado (18) a direção do partido deve promover outro encontro.

O pré-candidato aguarda a aprovação do calendário para dar início à construção do seu plano de gestão. “A esperança, no nosso caso aqui, é que eles definam um calendário para que a escolha do candidato a prefeito seja definida logo agora de imediato, no próximo mês [fevereiro], a curto prazo, porque nós temos que fazer pré-campanha, temos que organizar o plano de governo”, disse.

Wendling afirmou que o nome dele já foi indicado pelo partido. “Estou pré-candidato. Meu nome já foi colocado à disposição. Já fui indicado pelo nosso coletivo interno, no partido. E ouvi que outros nomes também têm interesse, mas toda eleição é sempre o mesmo processo”, disse.

O deputado se refere ao presidente estadual do PT, Sinésio Campos, e ao vereador Cícero Custódio – conhecido como Sassá da Construção. “O Sassá falou para mim que não vai ser [candidato]. Eu tenho a impressão de que ele, talvez, vá trabalhar a reeleição. Quanto ao presidente do partido, vai depender do processo que vai ser definido nesse calendário”, explicou.

De acordo com o petista, o estatuto do partido permite que cada grupo interno coloque nomes à disposição. “Estou propondo que o PT defina logo. A direção nacional vai conduzir o processo das eleições nas capitais, ou seja, com certeza, influenciar nas indicações dos nomes, porque a presidenta [Gleisi] já falou, desde o ano passado: a ideia é que tenha candidatos com grande projeção eleitoral, que tenha um grande potencial de poder disputar. E, no meu caso, inclusive, a presidenta Gleisi já tinha citado o meu nome também como o candidato que tem essa viabilidade, por causa do nosso resultado eleitoral nas últimas eleições”, disse.

Nas eleições municipais de 2016, na capital, Wendling conquistou o segundo lugar na preferência do eleitorado, com 152.800 votos (18,32%). Com esse resultado, em Manaus, ele ficou atrás apenas do então governador eleito, Amazonino Mendes. Nas eleições de 2018, ele foi o deputado federal mais votado pelo Amazonas, com 197.270 votos.

Enquanto não é indicado formalmente pelo partido, o petista enfatizou que vem buscando formatar um plano de governo. “Desde o ano passado, estou organizando alguns eventos para discutir temas da cidade, convidando pessoas com experiência. Eu convidei o ex-prefeito de Belém, o Edmilson Rodrigues. Falamos sobre a questão urbana, da mobilidade. Esteve aqui o ex-prefeito de Chapecó, tratando sobre o Fundeb, a educação. Na área da moradia também tivemos uma discussão, com uma série de profissionais. Também houve discussão sobre  saneamento com um especialista da Bahia, trazendo as experiências de lá. Eu vou continuar fazendo esse debate porque a ideia é construir um plano de governo”, afirmou.

Mesmo que a indicação não saia nos próximos dias, o deputado vai continuar em ritmo de pré-campanha. “Independente disso, a partir de fevereiro eu vou estar fazendo debate de temas para a cidade para o programa de governo. Eu vou estar conversando com vários segmentos da sociedade, em reuniões e debates. Enquanto não se define o nome, eu vou estar construindo uma proposta de plano de governo para a cidade de Manaus”, destacou.

Questionado sobre a interrupção do mandato de deputado federal, caso seja eleito, Wendling afirmou que ser prefeito representa um compromisso maior. “Porque como Executivo você tem a oportunidade de propor políticas para resolver os problemas, cuidar da cidade, cuidar do transporte, cuidar da saúde. Mas, isso não muda o nosso trabalho, o nosso empenho. Nunca mudou. Significa apenas estar num outro patamar, para fazer mais ainda, e em benefício da cidade e do estado. No caso como prefeito, é mais para a capital. No momento estou como deputado 100% voltado para as atividades em prol da sociedade. Não tenho outra atividade. Tem muita gente por aí que está cuidando de outros negócios. O mandato, às vezes, é um passatempo. No meu caso, não. Eu me dedico 100% todo dia estão tratando de um tema, nos posicionando”, afirmou.

Alianças

O deputado destacou que vai procurar fazer alianças ainda no primeiro turno, embora acredite ser difícil nas eleições deste ano. “Eu já percebi nas falas de alguns dirigentes de que há uma possibilidade até de muitos partidos lançarem candidato a prefeito por causa do entendimento de alianças proporcionais. Então, cada partido tem que lançar sua chapa de vereadores, e não tem mais aliança para vereador. Ter candidato a prefeito, ajuda a puxar votos para a legenda. Se pudermos estar numa aliança no primeiro turno seria o ideal. Se não, um diálogo no segundo turno poderá juntar forças, e nós podemos, juntos, ganhar a eleição”, disse.

Críticas

Sobre as críticas envolvendo o partido, Wendling disse estar firme com a sigla. “Quem fala contra o PT é quem não é do PT. É quem é adversário. Nós não temos esse costume. Eu não tenho costume de ficar denegrindo a imagem de ninguém de outro partido. Cada partido tem muita gente boa e muita gente ruim. O PT tem seus acertos e seus seus erros também. Eu entendo que você tem que ter coerência. Eu sou partido, firme, apesar dos problemas. A maior parte do povo lá é gente de muita luta. O PT vai completar 40 anos no mês que vem. Tem gente que está 40 anos lutando pela, inclusive, pela liberdade de expressão, liberdade de imprensa”, disse.

Reportagem: Eliena Monteiro

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