
Escolas da PM matriculam este mês e, após sucesso em olimpíada de matemática, prestigiado pelo presidente Bolsonaro (foto), a concorrência por vagas é grande. Daí a fiscalização do Ministério Público. Foto: Isac Nobrega/ PR/ EBC/ Divulgação
A matrícula nos colégios da Polícia Militar, que deve iniciar ainda em novembro, está dependendo apenas da publicação do edital. O documento terá que conter o número de vagas, colégio por colégio. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) tem cobrado o cumprimento desta etapa legal.Escolas da PM matriculam este mês
“Há denúncias de vendas de listas, de todos os lados, para ocupar as vagas desses colégios. Há até acusações de que vagas são vendidas. O edital, que é etapa obrigatória, mostrará os lugares disponíveis. Depois a gente compara com o número de aprovados e de matriculados. As admissões que aparecerem fora disso estarão irregulares”, disse uma fonte do portal no MPAM.
Os coronéis da PM, que comandam essas escolas, estão divididos quanto à publicação do edital. Uns querem que o documento venha a público, o mais rápido possível, como forma de transparência. Outros, que parecem se beneficiar do prestígio que essas escolas adquiriram, são contra a publicação.
A publicação do edital, porém, é uma obrigação que não tem nada a ver com a PM. É da Secretaria Estadual de Educação (Seduc). Mas a Seduc ainda não se pronunciou quanto ao cumprimento do prazo.
O acesso às escolas da PM não tem um processo seletivo ou vestibular como nas faculdades públicas, casos de UEA e Ufam. “Se faz apenas a avaliação curricular formal. Os melhores currículos são selecionados. Como o processo é transparente, alguém que tenha acesso aos currículos dos demais e seja prejudicado pode recorrer”, disse uma fonte da Seduc.
Parece simples, mas não é. O preenchimento de vagas nesses estabelecimentos de ensino se transformou numa guerra de bastidores.
As escolas da PM obtiveram sucesso em Olimpíadas de Matemática disputadas no Brasil e fora do País. Isso fez com que o prestígio delas aumentasse. Há até pais retirando filhos de escolas particulares reconhecidas em Manaus e preferindo as da PM.
O ciclo se completa com a legislação. As leis do Amazonas dão preferência, no acesso à UEA, dos alunos oriundos de escolas públicas. E todos os cursos da UEA, faculdade pública do Estado do Amazonas, são gratuitos.
As Associações de Pais, Mestres e Colaboradores (APMCs) são as grandes controladoras das escolas da PM. O poder de quem dirige APMC é imenso. São elas que arrecadam os valores para serviços urgentes. Contam com apoio dos pais. Fazem toda diferença para outras escolas estaduais.
Num desses estabelecimentos de ensino, por exemplo, há um cabo PM presidente de APMC que bate de frente com coronéis. “Ninguém consegue tirá-lo ou confrontá-lo. O valor que ele arrecada é alto e, pelo visto, transfere poder”, disse a fonte.
Os alunos, enquanto isso, estão cada vez mais satisfeitos com a disciplina rígida e os resultados obtidos pelas escolas da PM. Falta agora, apenas, a publicação do edital. Isso fará a taxa de transparência aumentar e o espaço para corrupção diminuir, no ano de 2020.
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