07/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Homem que matou esposa na frente dos filhos é condenado a 17 anos de prisão

Publicado em 19 de julho, 2019

Homem que matou esposa na frente dos filhos é condenado a 17 anos de prisão

Homem que matou esposa na frente dos filhos é condenado a 17 anos de prisão. Fotos: TJAM e Divulgação

O Conselho de Sentença da 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus julgou e condenou nesta quarta-feira (17) dois homens acusados de feminicídio.

Os julgamentos foram realizados em sessões diferentes, como parte da pauta da “2.ª Semana do Mutirão do Júri“, que está sendo realizada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas.

Homem que matou esposa

Em sessão de julgamento presidida pela juíza Maria da Graça Giulietta Cardoso de Carvalho Starling e realizada no auditório do Fórum Desembargadora Euza Naice Vasconcellos, o réu Diego Fabrício do Nascimento Pacheco foi condenado a 17 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado, pelo crime de feminicídio contra a companheira dele, Josilene Ferreira de Araújo, ocorrido em junho de 2016, no bairro da Paz, zona Oeste da capital.

O julgamento iniciou na tarde de quarta-feira e a sentença foi lida no início da madrugada desta quinta. Diego respondia pelo crime em liberdade e sua prisão foi decretada em plenário, tendo sido encaminhado ao Sistema Prisional.

O crime

O crime ocorreu em 2016, no Bairro da Paz, zona centro-oeste de Manaus, na casa onde o casal morava com os filhos. O homem matou a mulher com três facadas no pescoço, na frente da filha do casal, de apenas seis anos de idade à época. Ele confessou o crime, porém, alegou legítima defesa.

A audiência de julgamento ocorreu em segredo de Justiça. Por motivos de segurança e para resguardar as testemunhas, incluindo a criança, a juíza Maria da Graça Giulietta Cardoso de Carvalho Starling solicitou o esvaziamento da sala, em atendimento a pedido da defesa. Foram ouvidas três testemunhas de acusação, além do réu, em uma audiência longa, que teve início às 13h e seguiu até 1h de quinta-feira.

Acusação

Em sua fala no plenário, a defensora pública Pollyana Vieira, coordenadora do Nudem, que atuou como assistente de acusação, pontuou a necessidade de se qualificar o crime como feminicídio, para que as mortes anunciadas de mulheres envolvidas em um contexto de violência doméstica deixem a invisibilidade e comecem a não ser mais toleráveis pela sociedade. A defensora falou também sobre a dificuldade da mulher sair do ciclo de violência.

O Ministério Público, representado no processo pela promotora de Justiça Lilian Nara Pinheiro de Almeida, reiterou as acusações presentes na denúncia e pediu aos jurados a condenação do réu. Condenado, o homem saiu do fórum já preso.

Homem que matou esposa na frente dos filhos é condenado a 17 anos de prisãoPrimeira sessão

Na primeira sessão, presidida pela juíza Ana Paula de Medeiros Braga e realizada no Centro Administrativo Des. José Jesus F. Lopes – Anexo ao TJAM –, o réu José Nunes foi condenado a 18 anos de prisão, em regime fechado, pela tentativa de feminicídio contra Elaine Sadala Tavares. O crime foi cometido em 6 de maio de 2016, na rua Teresópolis, Conjunto Heleia II, bairro Redenção, em Manaus.

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), o agressor e a companheira estavam bebendo em um bar quando ela cumprimentou uma pessoa do sexo masculino. A partir de então, o casal começou a discutir e deixou o local. Conforme os autos, ao chegar na residência, José Nunes passou a agredir a mulher com chutes e pontapés.

Fuga da morte

A vítima conseguiu fugir, mas foi alcançada pelo agressor que bateu com a cabeça dela em um muro. Socorrida por populares, a mulher escapou da morte.

José Nunes passou toda a instrução do processo foragido, mas dois dias antes do julgamento foi recapturado pela polícia e apresentado nesta quarta-feira na sessão de julgamento popular. Após a leitura da sentença, Nunes foi encaminhado ao Sistema Prisional da capital para iniciar o cumprimento da pena.

Balanço parcial

A juíza convocada para atuar como desembargadora Mirza Telma de Oliveira Cunha, coordenadora da Semana do Mutirão do Júri, fez um balanço parcial das atividades da ação até esta quinta-feira e informou que, nas três Varas do Tribunal do Júri já foram realizados 75 julgamentos, cinco envolvendo casos de feminicídio (aqueles assim classificados a partir da Lei 13.104/2015), além de outros referentes a crimes dolosos contra a vida , que tiveram mulheres como vítima e que estão na pauta, embora não classificados como feminicídio, por terem ocorrido em data anterior à referida lei.

“Consideramos o resultado muito positivo até aqui. Pouquíssimos júris precisaram ser adiados e creio que vamos conseguir realizar, no mínimo, 90% dos julgamentos em pauta para este período de esforço concentrado. Quero destacar o trabalho dos juízes da capital e do interior designados para atuar no mutirão, que estão cumprindo brilhantemente a tarefa; dos promotores de Justiça, que estão se deslocando entre os vários locais de realização de julgamento; assim como agradecer à Defensoria que destacou um número significativo de defensores públicos para atuar nos julgamentos”, disse Mirza Telma.

Mutirão

Ela também destacou a atuação dos advogados nomeados (dativos), que se prontificaram a dar apoio em caso de necessidade e têm atuado em vários processos do mutirão.

“Dr. Eguinaldo Moura, Dr. Mozarth Bessa Neto, Dr. Paulo Trindade, Drª. Natividade Maia, Drª. Goreth Rubin, Dr. Thiago têm nos ajudado muito, designados para atuar nos júris, visto que a Defensoria não tinha como destacar defensores para todas as sessões de julgamento”, disse a magistrada.

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