
Texto e fotos: Peta Cid
“O Brasil que a gente quer reinventar” onde os filhos brasilis tomem as rédeas da história para tornar a arte e a cultura como armas de transformação para uma Mátria mais igualitária foi a bandeira da esperança erguida pelo Boi Caprichoso no encerramento do 54° Festival Folclórico de Parintins.
As transformações começaram logo na abertura com o módulo do Cristo Redentor e os integrantes da Marujada de Guerra entrando na arena cobertos por uma espécie de capa preta que, aos poucos, foi revelando o colorido da expressão da arte brasileira.
A primeira alegoria foi a Figura Típica Regional “A Cabocla Lavadeira”, que habita os beiradões sob a proteção de Nossa Senhora do Carmo. O cenário ribeirinho exibiu o cotidiano dessas mulheres de luta e trouxe a porta-estandarte Marcela Marialva, que abriu em plena arena uma faixa com os dizeres Paz para o Brasil, que depois foi elevada aos céus por balões.
A alegoria se abriu para a Exaltação Folclórica “Mestras do Saber Popular”, que destacou a imagem de várias personalidades do azul e branco. O Boi Caprichoso apareceu na alegoria e a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, surgiu da personagem de sua bisavó, a costureira do Caprichoso Ednelza Cid.
A imagem da costureira, que fazia as roupas das sinhás e rainhas do bumbá, também foi estampada no estandarte do Caprichoso, numa obra do artista Makoy Cardoso.
O momento tribal Teoká, Terra Tirada, trouxe a mensagem da resistência e a luta dos povos indígenas contra o extermínio.
Caximarro: As Três Guerreiras, Lenda Amazônica, contou a saga de três índias Uaupés, que transgrediram os costumes sagrados e foram aprisionadas e transformadas em pedra. A cunhã-poranga Marciele Albuquerque evoluiu na grande alegoria.
A serpente Dinahí, rainha e protetora das águas, alegoria do artista Juarez Lima, entrou na arena transfigurada no espírito da consciência ambiental. Um show pirotécnico levou a galera ao delírio. A Rainha do Folclore, Brenda Beltrão, surgiu no peito da serpente.
O pajé Neto Simões comandou o Ritual “Enawenê-nawê: Yãkwa, a Favorável Sentença”, num show à parte do Boi Caprichoso.
Com a toada Waiá-Toré, o pajé chamou a galera para cantar a liberdade, numa grande festa que balançou o Bumbódromo encerrando o espetáculo “Um Canto de Esperança para a Mátria Brasilis”.



