Mais de três mil barracos levantados, comercialização de madeira, latrinas que ameaçam o lençol freático, nascentes exterminadas e desmatamento de 31 hectares, equivalentes a 37 campos de futebol, foi o resultado dos quatro meses da ocupação José Alencar, na Área de Preservação Ambiental (APA) do Tarumã. Os dados são parte do relatório feito, ao longo de uma semana, por técnicos da Diretoria de Qualidade e Controle Ambiental (DQCA), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).
Fotos: Semmas/ Divulgação
O relatório foi entregue ontem (quarta, 29/06) ao titular da Semmas, Marcelo Dutra. A Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp) informa também que foram retirados do local 720 toneladas de resíduos, ao longo de cinco dias.
“A Bacia do Tarumã, dizem os técnicos, é basicamente formada por vegetação primária (em maior percentual) e secundária, com predominância para as espécies nativas. Todas as áreas ocupadas e desmatadas passaram por um processo de ‘limpeza’ com o uso da queimada”, diz o texto. Áreas contíguas também passaram pelo mesmo processo.
Foram encontradas ainda 100 “fossas negras”, que são latrinas coletivas, denunciando que os dejetos dos ocupantes foram depositados diretamente no solo. “O fato, por si só, já representa um alto risco de contaminação de nascentes, igarapés e do lençol freático provavelmente existente na área. O risco de contaminação se dá pela infiltração e percolação de resíduos líquidos a partir das fossas negras”, conta o documento.
Os técnicos da Semmas afirmam que o desmatamento da área interfere na força dos ventos na cidade de Manaus. “A grande quantidade de árvores retiradas da já fragilizada área do Tarumã faz com que a velocidade dos ventos ao nível do solo aumente, reduzindo também a sua umidade. Além do risco de efeitos desastrosos dos vendavais, a ausência de cobertura vegetal dificulta também a infiltração da água pluvial no solo provocando ravinamentos e voçorocas”, diz nota da assessoria de imprensa do órgão.
A flora foi atingida, “com perda da composição florística da área e da proteção do solo” e a fauna sofre com o “afugentamento de animais e desligamento de corredor ecológico natural”.
“O surgimento de erosões principalmente nas áreas desniveladas e nas APPs foi outra consequência direta da ação dos invasores. A erosão causa o assoreamento das margens dos igarapés e o desaparecimento das nascentes existentes no terreno”, enfatiza o relatório.