
Carnaúba (esquerda) e Francinaldo dos Santos, o “Cinta Larga”. Francinaldo está preso no CDPM II, onde o Comando Vermelho tentaria subjugar FDN. Segundo fontes, “Cinta Larga” não fugiu da cadeia porque não quis. Fotos: Divulgação/ PF-AM
Um novo “salve” atribuído à facção criminosa Comando Vermelho (CM) circulou nas redes sociais nesta terça-feira (26), falando da vitória próxima e fazendo ameaças ao narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, da Família do Norte (FDN).
O “salve” é uma espécie de recado dos integrantes para decisões tomadas ou ordens a serem executadas pelos chamados soldados do crime.
Segundo a mensagem, os “irmãos do Amazonas” vão ver a bandeira do CV fincada na primeira escola do Comando, “nem que pra isso aja bannho de sangue” (sic).
Conforme fontes policiais consultadas pelo Portal Marcos Santos, a primeira escola seria uma referência ao Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), onde a facção tentaria subjugar a FDN.
De acordo com o “salve”, o ataque “vai ser com toda força. Esses teleguiado da FDN vão saber o que é força. Fica na fé Mano G”. Mano G é Gelson Carnaúba, chefe do CV no Amazonas, que cumpre pena em presídio federal.
Num “salve” que circulou no dia 13 de junho, a facção de origem carioca fazia ameaças a delegado da Polícia Civil e a policiais militares da 23a Companhia Interativa Comunitária (Cicom).
Ao todo, 35 presos fugira do CDPM II, entre os dias 11 e 12 de junho, por um túnel cavado na unidade prisional. A área tem domínio do Comando e também abriga detentos de alta periculosidade ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo fontes do Portal, o CV está ficando cada vez mais forte no Amazonas após o racha com a FDN.

No último dia 14 de abril, Justiça condenou o narcotraficante João Branco a 30 anos e 2 meses de prisão pelo homicídio do delegado Oscar Cardoso. “Salve” atribuído à FDN traz ameaças a promotores, juiz e ex-secretário. Foto: Arquivo
Dois promotores públicos, um juiz e o ex-secretário de Inteligência da segurança também foram ameaçados por um “salve” da facção criminosa Família do Norte (FDN).
Os promotores citados na mensagem são os que atuaram no caso do delegado assassinado Oscar Cardoso, cujo julgamento foi concluído no último dia 14 de abril, em Manaus. Com o julgamento, o narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, um dos chefões da FDN, foi condenado a 30 anos e 2 meses de prisão pelo homicídio.
A mensagem fala dos promotores Ednaldo Medeiros e Geber Mafra, além do ex-secretário Thomaz de Vasconcelos Dias.
O Poder Judiciário informou que desde as primeiras ameaças, ocorridas durante a crise mais grave do sistema prisional, em janeiro de 2017, as “medidas de segurança necessárias vem sendo adotadas”. O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) não entrou em detalhes sobre as medidas adotadas.
O promotor Ednaldo, que atua no caso desde o início, disse que não se posicionaria sobre possíveis ameaças e que só atua nos autos do processo.
A mensagem divulgada como da FDN deixa evidente, novamente, o racha da facção criminosa com o Comando Vermelho (CV) no Estado.
Considerado um dos fundadores da facção no Amazonas, o traficante Gelson Carnaúba, detido no presídio federal de Catanduvas (PR), hoje no CV, é alvo do “salve”, que o chama de “cobra” e “safado”, e que diz que se “querem guerra, vocês vão ter”.
O narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, foi condenado a 30 anos e 2 meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do delegado da Polícia Civil, Oscar Cardoso. O crime ocorreu em 2014. A sentença foi proferida no dia 14 de abril.
Além de João Branco, foram condenados Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, a 25 anos e 11 meses de detenção; Diego Bruno de Souza Moldes, que levou 25 anos e 11 meses; e Messias Maia Sodré, condenado a 21 anos e 4 meses.