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Em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), a Presidência da COP30 promoveu, no última segunda-feira, 1 de junho, uma visita técnica à Unidade Embrapa Solos, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, reunindo representantes da Presidência-designada da COP31, órgãos governamentais e parceiros vários outros setores.
A iniciativa proporcionou um espaço de intercâmbio de experiências voltadas à transformação dos sistemas alimentares, à adaptação climática e à implementação de soluções em escala, fortalecendo a cooperação entre as presidências das COPs e o engajamento de múltiplos atores na Agenda Global de Ação Climática.
A atividade contou com a participação de Silvia Massruhá, presidente da Embrapa; Ana Euler, diretora de Inovação da instituição; Marcelo Morandi, chefe da Assessoria de Relações Internacionais da Embrapa, além de representantes da Agenda Global de Ação da COP30. A delegação da Turquia esteve representada por Mehmet Yener, diretor-geral adjunto do Ministério da Agricultura e Florestas, e por Ömer Öztürk, chefe da Área de Adaptação às Mudanças Climáticas e Políticas Locais do Ministério do Meio Ambiente, Urbanização e Mudanças Climáticas, reforçando a cooperação entre as duas presidências na construção de uma agenda contínua de implementação climática.
“Vimos uma amostra da riqueza da AgriZone, de suas vitrines vivas e da mobilização que vem acontecendo em todos os biomas brasileiros. Foi um processo que deu visibilidade a soluções já existentes e que, na COP30, foram transformadas em Planos de Aceleração de Soluções (PAS) para ganhar escala e ampliar seu impacto”, afirmou Bruna Cerqueira, coordenadora-geral da Agenda de Ação da Presidência da COP30.
Os diálogos também evidenciaram que o foco da COP31 em Segurança Alimentar — especialmente nos temas de resiliência hídrica, protagonismo da juventude e liderança das mulheres — já encontra uma base sólida de iniciativas em curso, que podem ser fortalecidas para gerar resultados concretos no caminho até Antália. “Seguiremos compartilhando experiências e lições aprendidas para enfrentar os desafios da implementação e acelerar soluções que já estão fazendo a diferença nos territórios”, reforçou Cerqueira.
A programação teve início com uma imersão nos projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e democratização da ciência conduzidos pela Embrapa. Em formato interativo, os participantes circularam por diferentes estações temáticas dedicadas à integração entre conhecimento científico, saberes territoriais, gestão de riscos climáticos, bioinsumos, economia circular e inovação aplicada aos sistemas alimentares.
A manhã foi concluída com uma apresentação da AgriZone, iniciativa desenvolvida pela Embrapa para a COP30 como espaço de demonstração prática da transformação dos sistemas agroalimentares. Mais do que um pavilhão temático, a AgriZone foi concebida como um ambiente de convergência entre diferentes atores do ecossistema alimentar e climático, conectando ciência, produtores rurais, governos, financiadores, empresas, povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil.
Durante a apresentação, foram compartilhadas experiências relacionadas à estruturação da AgriZone na COP30 e sua potencial contribuição para futuras edições da Conferência do Clima, incluindo a COP31. O modelo articula espaços dedicados à biodiversidade, demonstrações vivas de tecnologias agrícolas, debates técnicos e experiências culturais, criando oportunidades para interação entre atores que tradicionalmente atuam de forma isolada.
No período da tarde, o foco se voltou ao papel dos sistemas alimentares na implementação dos compromissos climáticos.
Representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) apresentaram os Planos de Aceleração da recuperação de áreas degradadas ( RAIZ ) e agroecologia e agroflorestas (TERRA), lançados na COP30, destacando a importância de abordagens sistêmicas capazes de articular políticas públicas, financiamento, assistência técnica, inovação tecnológica e acesso a mercados como alavancas para acelerar o ganho de escala dessas soluções no mundo.
As discussões evidenciaram a necessidade de fortalecer a coordenação entre diferentes planos para acelerar soluções, além de ampliar a colaboração com instituições financeiras, cooperativas, organizações da sociedade civil, universidades e empresas.
Entre os principais instrumentos apresentados estão o fortalecimento de cooperativas para agregar a oferta, a ampliação da assistência técnica e da extensão rural para adoção de tecnologias resilientes, o desenvolvimento de um conjunto de instrumentos financeiros complementares para dar escala ao acesso ao financiamento para a transição ecológica, a disseminação de tecnologias e bioinsumos e a expansão de oportunidades de mercado para agricultores familiares e produtores rurais.
A visita reforçou o papel das COPs como plataformas e processos de mobilização e implementação, capazes de conectar diferentes setores em torno de soluções concretas para os desafios climáticos.
O encontro também evidenciou como iniciativas desenvolvidas no contexto da COP30 podem contribuir para fortalecer a continuidade dos esforços internacionais de implementação, ampliando a cooperação entre países e consolidando redes multissetoriais voltadas à transformação sustentável da agricultura e à construção de sistemas alimentares mais resilientes, inclusivos e adaptados às mudanças do clima.
Agência Gov