06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Seap prevê construção do Compaj 2 com tecnologia contra túneis e para 900 presos

Publicado em 20 de junho, 2018

Para a construção do Compaj 2, a Seap utilizaria cerca de R$ 70 milhões, sendo R$ 65 milhões para a obra e os outros R$ 5 milhões para mobília, tecnologia e equipamentos de segurança e fiscalização. Fotos: Divulgação

Após a desativação do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj Semiaberto) em abril deste ano, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) decidiu usar a estrutura física da unidade desativada para construir um novo presídio do regime fechado, o Compaj 2.

A tecnologia que será utilizada para a construção é a mesma empregada no Complexo Penitenciário de Canoas (Pecan-1), localizada no município de Canoas, no Rio Grande do Sul, com concretagem de alta resistência com fibras de vidro e de polipropileno.

900 vagas

De acordo com o secretário de Estado de Administração Penitenciária do Amazonas, coronel da Polícia Militar, Cleitman Coelho, a nova unidade do Compaj 2 terá 900 vagas e o projeto da obra vai contar com novos métodos construtivos de estabelecimentos prisionais.

“Fomos a Canoas para conhecer a unidade prisional que utiliza esses métodos e também em Charqueadas para entender a estrutura da empresa responsável pela construção. É comprovado que a unidade em Canoas é de um padrão excelente de segurança, o que facilita o trabalho das pessoas que atuam no sistema prisional e impossibilita que os presos realizem ações para cavar túneis ou tocas para esconder armamento e objetos proibidos”, afirmou Cleitman Coelho.

Celas pré-moldadas

Segundo o secretário da Seap, a unidade é feita de celas pré-moldadas de fabricação da empresa Verdi Sistemas Construtivos S/A, com sede em Charqueadas.

A unidade de Canoas foi construída no período de 12 meses, e inaugurada em 2014. Durante a visita à empresa foi constatado que a mesma possui produtos em estoque e diversas peças pré-montadas, o que facilitaria a entrega em um menor prazo, pois 60% da obra da unidade é industrializada.

Para a construção do Compaj 2, a Seap utilizaria cerca de R$ 70 milhões, sendo R$ 65 milhões para a obra e os outros R$ 5 milhões para mobília, tecnologia e equipamentos de segurança e fiscalização. O governador do Amazonas, Amazonino Mendes, já autorizou a obra da nova unidade e disponibilizou R$ 50 milhões.

Alta resistência

A concretagem de alta resistência com fibras de vidro e de polipropileno torna o concreto com maior firmeza, contribuindo para um melhor desempenho quanto a cargas dinâmicas, cíclicas e de impacto do painel de concreto.

As celas pré-montadas apresentam alto nível de segurança, grande durabilidade, salubridade, funcionalidade e baixo custo operacional.

Cleitman Coelho ressaltou que o principal objetivo de utilização do modelo do Rio Grande do Sul para o sistema prisional de Manaus é garantir a efetividade de uma unidade prisional, para execução das penas dos presos sem acesso a objetos ilícitos e evitar planos de fugas.

Mais segurança

“A iniciativa de buscar novas tecnologias de construção visa garantir a plena execução das penas, previstas na Lei de Execução Penal (LEP), e promover a custódia do preso com a certificação de segurança e buscando minimizar cada vez mais os riscos de fuga”, frisou o secretário.

A tecnologia da obra utilizada no Rio Grande do Sul permite também que os agentes penitenciários que atuam na unidade não tenham contato direto com os internos para movimentações e procedimentos de abertura e tranca das celas, nos momentos em que os presos têm direito a banho de sol, visitas ou saída para atendimentos médicos e audiências em fóruns.

No corredor dos pavilhões onde se localizam as celas, um corredor por cima da estrutura é montado para que o agente caminhe através de uma passarela para executar os comandos.

Além do acesso aos comandos das celas, a passarela onde apenas os agentes têm acesso guarda as caixas dos serviços elétricos e hidráulicos da unidade, impossibilitando que os presos tenham contato com esses mecanismos das redes de energia e hidráulica.

O secretário da Seap afirmou que isso vai agregar uma sensação de segurança maior para os agentes, direção da unidade, secretaria e para o próprio Estado.

Contato de agentes

“Uma das grandes preocupações do contato direto de agentes com presos é torna-los suscetíveis às ameaças, agressões ou atitudes violentas dos internos que podem colocar a vida dos agentes em perigo e utilizá-los como reféns. Outro ponto é evitar a proximidade para que os agentes não sejam induzidos à corrupção e para facilitar a entrada de objetos proibidos nas unidades”.

A construção da unidade é aprovada pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP) do Ministério da Saúde (MS), por reduzir a proliferação de bactérias e fungos, reduzindo os riscos de infecções e doenças, devido ao material de alta densidade usado na obra e estrutura da unidade.

Condenados

A unidade do Compaj 2 será destinada ao regime fechado. O Amazonas possui um déficit de 88% de vagas no Compaj, que é atualmente a unidade que abriga 854 presos condenados.

A construção do Compaj 2 tem como objetivo atender o planejamento do Governo do Estado em ampliar e reformar o Compaj, inaugurado em 1982. Todos os presos do atual regime fechado serão transferidos para o Compaj 2 assim que a construção da nova unidade for concluída.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.