14/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O artesanato regional pode salvar o Amazonas

Publicado em 04 de abril, 2012

Há quem diga que o Amazonas ainda viverá o terceiro ciclo econômico. Alguns apostam na indústria do turismo como redentora dessa nova fase econômica, outros investem na perenização da ZFM para continuar o modelo, que desenvolveu a região e salvou a Amazônia da inevitável invasão territorial estrangeira. Nós, dos Movimentos Sociais, no entanto, acreditamos em ambas, mas adicionando a isso a economia oriunda do produto artesanal, que a nosso ver é a mina de ouro que o Amazonas precisa para se livrar da fatídica luta política pela manutenção do modelo industrial implantado na década de 60, no Amazonas.

Manaus tem mais de seis mil artesãos. Eles são uma mão de obra viável, lucrativa e representativa para o Estado do Amazonas, tanto quanto os aproximadamente meio milhão de empregos diretos e indiretos do incentivado Pólo Industrial de Manaus (PIM), mas a custo unitário bem menor.

Um grupo de 15 trabalhadores artesanal custa em média R$ 25 mil para o Estado. O custo de um posto de trabalho no Distrito Industrial é de U$ 35 mil a U$ 500 mil. As empresas contabilizam esses valores com base nos gastos com educação, lazer, transportes, alimentação, saúde, segurança, salários e outros itens reservados à manutenção dos empregos. Ainda assim, gastam quase nada se comparamos com os até 90% de redução dos Impostos de Importação, os incentivos de ICMS, ISS, IPTU e outros benefícios que essas empresas recebem dos governos Federal, Estadual e Municipal para se instalarem em Manaus. A contribuição dessas empresas com a cidade também é mínima.

Fora os postos de trabalho e seus devidos salários, quase nada ficam para o desenvolvimento da região. O segundo ciclo econômico, com base na indústria da ZFM, proporcionou uma riqueza efêmera para o centro urbano de Manaus e contribuiu para atrair a população da agricultura e do extrativismo, sem gerar o número de empregos necessários para absorver tal população, como também, atraiu centenas de milhares de nordestinos, esvaziou a possível criação de outros centros produtivos no Estado, inverteu a cultura cabocla e evitou a formação de produtores artesanais no interior do Amazonas.

Evidente, não seria recomendável acabar com a Zona Franca de Manaus, mas, certamente, criar mecanismos que forcem a agregação de valores, usando o artesanato regional como forte suporte econômico para a região. Para isso, é necessário estruturar a comercialização e garantir equipamentos adequados ao exercício da atividade, assim como, buscar parceiros que garantam a venda dos produtos a preços de mercado, sem a incômoda e prejudicial presença do “atravessador”. Essa figura nociva aos artesãos da região já começou a perder a sua importância à medida que a Central Única dos Trabalhadores do Amazonas (CUT-AM) criou a Cooperativa dos Trabalhadores Artesanais, para formação de um pólo produtor, exportador, emprego e renda, com base nesse segmento.

Peças artesanais produzidas por caboclos amazonenses custam centenas de milhares de dólares na Europa, mas é preciso dar direcionamento a esse setor.

Para a CUT, a visibilidade que o Amazonas pode ter no exterior, através do artesanato, terá valor agregado superior aos dólares arrecadados pela venda dos produtos.  Ao investir no artesanato, o Estado estará ganhando milhares de milhões de dólares e, indiretamente, divulgando a cultura cabocla, para que ela seja absorvida pela indústria do turismo.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Valdemir Santana

* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.