A mensagem central da Bíblia Sagrada é a salvação proporcionada graciosamente pelo Deus Salvador, que é também e eternamente o Deus Criador. O pressuposto dessa mensagem é a condição de perdição e perigo na qual toda humanidade se encontra em virtude da queda, produto do pecado. Assim sendo, todo ser humano precisa de salvação, pois, todos, sem qualquer exceção, são pecadores culpados e indesculpáveis diante de Deus.
No entanto, o conceito de pecado foi abolido do vocabulário, da consciência e do coração humano e a própria palavra “pecado” e outras como “tentação”, tornaram-se nomes ou apelidos que são dados a guloseimas deliciosas que não podem ser resistidas e renegadas.
Nossa sociedade pluralista se recusa a admitir que há pecado, pois, acredita que o que realmente há são sistemas de valores diferentes que se excluem mutuamente, mas, que devem ser administrados em uma convivência pacífica caracterizada pelo espírito de tolerância absoluta, mesmo que a mesma negue a existência de absolutos.
Mas, para quem ainda dá crédito a Palavra de Deus; tem temor no íntimo aos céus; ouve sua consciência profunda e se posiciona criticamente diante do produto humano, um mundo irracionalmente injusto, cruel e desumano como o nosso, algo está radicalmente errado, fora de lugar, torcido e as explicações humanas, embora intelectuais, não satisfazem.
Para esses, o que Deus disse permanece relevante, pois, Ele é eterno e imutável, portanto, sua Palavra jamais perde relevância, antes, como se tivesse sido dita exatamente hoje se encaixa com perfeição e sob medida. Dessa forma, ouçamos o que com espanto e estarrecimento Deus disse a respeito de Israel, a nação com a qual Deus havia feito um pacto que, em virtude do novo pacto realizado em Cristo, caducou: “Criei filhos e os fiz crescer, mas eles se rebelaram contra mim”, Isaías 1:2.
A essência do pecado é a rebelião do coração humano que se recusa a obedecer aos mandamentos, pois, se recusa a se submeter ao Legislador supremo do universo. Não se trata apenas de discordar dos princípios éticos divinos, mas, de se insurgir contra Deus e tentar a todo custo livrar-se da sua direção e direito de dizer as suas criaturas o que é certo e errado aos seus olhos. Essa rebelião é tão profunda que gera cegueira que impede ao homem de olhar ao redor de si e do contexto humano global, para constatar que o mundo que hoje é colhido é produto lógico da rejeição da moralidade divina revelada magistralmente nos Dez Mandamentos.
Deus, por analogia, expressa toda sua indignação diante do seu povo, exatamente como muitos pais hoje com profundas dores experimentam toda ingratidão e rebelião de filhos que embora tenham recebido tudo do bom e do melhor, voltam-se contra seus progenitores, dando-lhes as costas ou atribuindo-lhes toda a culpa por seus insucessos e fracassos, apoiados por um psicologismo supostamente científico.
A solução bíblica é admitir que há pecado, mas, que graças a Deus também há salvação graciosa em Cristo Jesus.
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Marcos Santos é radialista e jornalista. Começou em rádio, narrando futebol, aos 12 anos, na Rádi...