16/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Declarações de bens expõem contraste de patrimônio entre presidenciáveis em 2026

Publicado em 16 de agosto, 2026

Declarações de bens expõem contraste de patrimônio entre presidenciáveis em 2026

A declaração de bens dos candidatos à Presidência da República ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra um cenário de extremos financeiros entre os postulantes.

No topo da lista, aparece o empresário Pablo Marçal (PRTB), que registrou a candidatura a poucos minutos do fim do prazo, na noite deste sábado (15). Marçal declarou patrimônio de R$ 7,4 bilhões.

Quem informou ter o menor patrimônio, de R$ 33 mil, foi Samara Martins(UP).

A declaração de bens é uma exigência para o registro da candidatura e permite que os eleitores tenham acesso ao patrimônio declarado pelos candidatos. As informações são públicas e podem ser consultadas no DivulgaCand, plataforma da Justiça Eleitoral.

Veja como cada candidato à Presidência da República declarou seu patrimônio:

Pablo Marçal (PRTB): R$ 7,4 bilhões

O empresário e coach Pablo Marçal declarou patrimônio de R$ 7,4 bilhões à Justiça Eleitoral.

Do total apresentado, a maior parte — R$ 6,7 bi — corresponde a uma aplicação de renda fixa. Marçal declarou ainda um terreno em Santana de Parnaíba (SP) no valor de R$ 490 milhões.

Apesar do registro de candidatura – feito nos últimos minutos do prazo legal -, Marçal está inelegível até 2032. Isso significa que ele não pode concorrer a cargos políticos.

No dia 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração apresentados pela defesa do empresário e manteve a condenação que o tornou inelegível por oito anos por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2024.

Augusto Cury (Avante): R$ 242 milhões

O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) registrou patrimônio de R$ 242 milhões.

Desse montante, R$ 121 milhões referem-se a empréstimos feitos à empresa Filadélfia Nature Participações, além de R$ 54 milhões em participações societárias e R$ 33 milhões em ações.

Vice de Cury, o ex-deputado Júlio Delgado (Avante) informou possuir R$ 3,5 milhões.

Romeu Zema (Novo): R$ 178,7 milhões

O candidato do Novo, Romeu Zema, declarou R$ 178,7 milhões em bens, um aumento de 37,7% em relação a 2022.

O patrimônio de Zema está concentrado majoritariamente em participações em empresas, incluindo R$ 94,5 milhões em uma holding familiar.

Vice de Zema, Eduardo Girão (Novo) declarou R$ 34,1 milhões, apresentando uma queda de 6,3% em comparação a 2018.

Ronaldo Caiado (PSD): R$ 52,5 milhões

Ronaldo Caiado (PSD) informou ao TSE um patrimônio de R$ 52,5 milhões, o que representa uma alta de 111% ante 2022. A chapa conta com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, como vice, que declarou R$ 21 milhões, valor 311% superior à sua última disputa eleitoral em 2008.

Wilson Grassi (Democrata): R$ 50 milhões

O veterinário Wilson Grassi (Democrata) declarou possuir R$ 50 milhões. Segundo o registro oficial, esse valor está distribuído entre bens imóveis (incluindo direitos sobre imóveis financiados) e participações em capital social de diversas sociedades empresariais.

Vice de Grassi, Suêd Haidar informou possuir R$ 460 mil.

Flávio Bolsonaro (PL): R$ 8,2 milhões

O senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou um patrimônio total de R$ 8,2 milhões para a disputa. Esse montante representa um crescimento de 370% em relação ao valor informado em 2018, ano em que foi eleito para o Senado Federal.

A principal mudança no acúmulo de bens foi a inclusão de uma casa em Brasília, avaliada em R$ 6,2 milhões, que responde pela maior parte da alta patrimonial registrada no período.

Na chapa do PL, o candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, informou possuir R$ 565 mil em bens, apresentando uma evolução financeira de 95% na comparação com o pleito de 2022.

Lula (PT): R$ 4,8 milhões

O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio total de R$ 4,8 milhões, valor que representa uma queda de 35,7% comparado aos R$ 7,4 milhões informados em 2022.

A principal causa dessa redução foi o decréscimo nos valores mantidos em planos de previdência privada (VGBL), que caíram de R$ 5,6 milhões para R$ 3,3 milhões. Além disso, itens que figuravam na lista anterior, como créditos decorrentes de empréstimos pessoais e valores de devoluções judiciais, não constam no registro atual.

Por outro lado, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) viu seus bens mais que triplicarem, passando de R$ 1 milhão para R$ 3,3 milhões.

Clariana Barão (DC): R$ 1,8 milhões

A candidata à Presidência pelo Democracia Cristã (DC), Clariana Barão, declarou um patrimônio total de R$ 1,8 milhão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A declaração é composta majoritariamente por bens imóveis e um veículo de luxo:

Imóveis: Três casas (avaliadas em R$ 979,5 mil, R$ 107,4 mil e R$ 90,9 mil), um apartamento de R$ 261,7 mil e uma fração de terreno de R$ 5 mil.

Veículo: Um carro modelo Land Rover Discovery Sport, avaliado em R$ 376 mil.

Outros: Um depósito em conta corrente no valor de R$ 151,70.

A candidata a vice de Clariana, a também advogada Fabiana Torquato informou um patrimônio superior ao da titular, totalizando R$ 2,2 milhões. Clariana é advogada com experiência em gestão pública e histórico na defesa dos direitos das mulheres.

Renan Santos (Missão): R$ 795 mil

Renan Santos (Missão), estreante em disputas eleitorais, declarou R$ 795 mil, sem detalhar imóveis ou veículos.

O montante informado está dividido em: R$ 300 mil em “outros créditos e poupança vinculados”, R$ 275 mil em bens relacionados ao exercício de atividade autônoma, R$ 120 mil em outras participações societárias e R$ 100 mil em quotas de capital.

O vice de Renan, Coronel Medina, declarou R$ 1,6 milhão, incluindo itens como uma medalha de ouro de R$ 200 mil e uma espada de oficial da Polícia Militar.

Edmilson Costa (PCB): R$ 454 mil

O candidato à Presidência pelo PCB, Edmilson Costa, declarou um patrimônio total de R$ 454,4 mil ao TSE. Esse montante representa uma redução de aproximadamente 9,4% em relação à sua última disputa eleitoral, em 2014 (quando concorreu ao Senado), ano em que havia informado possuir pouco mais de R$ 502 mil.

O candidato registrou bens que consistem basicamente em sua residência e reservas financeiras, com a queda patrimonial sendo atribuída principalmente à diminuição dos valores mantidos em caderneta de poupança. O item de maior valor na declaração de Edmilson é a posse de 50% de um apartamento, avaliada em R$ 350 mil, mesmo valor nominal informado há 12 anos.

Em contraste, a candidata a vice, sindicalista Cleusa Santos, declarou um patrimônio superior ao do titular, somando R$ 1,79 milhão (valor que inclui quatro apartamentos, parte de uma casa e mais de R$ 252 mil em investimentos financeiros).

Samara Martins (UP): R$ 33 mil

Samara Martins (Unidade Popular) declarou o menor patrimônio entre os candidatos que já registraram bens: R$ 33 mil. O patrimônio é composto por um carro no valor de R$ 29 mil e R$ 4 mil em poupança.

A companheira de chapa de Samara, Raquel Bricio, não declarou bens.

Presidenciáveis que não declararam bens

Os candidatos a presidente Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) registraram candidatura sem declarar nenhum bem à Justiça Eleitoral.

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