Uma equipe do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), sob a chefia do pesquisador da instituição e mestre em Ciência e Tecnologia da Madeira pela Universidade de São Paulo (USP), Jadir de Souza Rocha, está propondo a produção de chapas de fibra vegetal a partir do aproveitamento de três espécies do gênero ananás, para uso em forros, divisórias e paredes. O projeto conquistou o terceiro lugar na categoria Social, do Prêmio Samuel Benchimol 2011, entregue no final do ano passado. A equipe contou ainda com as pesquisadoras Cynthia Lins Falcone Pontes, Kátia Bastos Loureiro Ramos, Tereza Maria Farias Bessa e Vânia Maria Oliveira da Câmara.

Espécie de ananás, a fibra de curauá já é fartamente utilizada na indústria automobilística e planta dá com facilidade no solo amazônico
O projeto ‘Aproveitamento de fibras vegetais para a construção sustentável’, usa a fibra do Curauá e pode substituir a fibra de vidro, pois apresenta resistência mecânica similar e ainda tem a vantagem de ser biodegradável. Outra vantagem é seu custo, cerca de dez vezes mais barata, além de ser menos abrasiva aos equipamentos de processamento. “O Curauá vem sendo utilizado na produção de artefatos para a indústria automobilística (para-choques e para-sol de carros)”, explicou.
Jadir afirma que a pesquisa de tecnologias inovadoras contribui consideravelmente para as mudanças climáticas. A construção civil utiliza elevado volume de matérias e a interferência de suas atividades acaba impactando o meio ambiente. Ele lembra que, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), de 2011, o setor responde por mais de um terço do consumo de recursos do planeta, o que inclui 12% do consumo mundial de água doce, além de gerar 40% de todos os resíduos sólidos do mundo.
A equipe desenvolveu várias tecnologias para geração de novos processos e produtos, a partir do aproveitamento de matérias-primas vegetais não madeireiras, para utilização na construção habitacional, em substituição à madeira sólida e derivados, como compensado, aglomerado, MDF e OSB, além da alvenaria. “Estou prestes a me aposentar, preciso formar sucessores, uma nova equipe de pesquisadores para dar continuidade ao trabalho”, disse Jadir, que está no Inpa desde 1982 e demonstra muita confiança na equipe com a qual trabalha.
Prêmios
A equipe conquistou o segundo lugar no Prêmio Samuel Benchimol, em 2008, na Categoria Econômico/Tecnológica, com o tema “Tijolo Vegetal”. Antes disso, em 2002, obteve o primeiro lugar do Prêmio Fucapi/CNPq de Tecnologia, com “Aproveitamento do pecíolo do buriti para utilização na construção civil (forros e divisórias)”. Em 2001, com o trabalho “Aproveitamento de galhos para confecção de móveis rústicos”, ficou no terceiro lugar. Já em 2000 alcançaram o primeiro lugar com o projeto “Aproveitamento do estipe da pupunha para confecção de móveis”.
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