Maria do Carmo Lins, esposa do empresário Wellington Lins, sequestrado sábado, às 15h, no portão da chácara da família, no Tarumã, por seis homens armados, e libertado nesta segunda-feira, por volta das 21h, acaba de conceder entrevista exclusiva à rádio CBN Manaus (ouça a íntegra abaixo ou nos podcasts do blog). Ela contou detalhes do sequestro, revelando que o valor do resgate (R$ 1 milhão) foi deixado na estrada do Aeroporto, em frente ao posto de gasolina, na beira da pista, no meio do mato, e o empresário foi libertado no começo da BR-174, ao lado do posto de gasolina.

Maria do Carmo Lins, durante a entrevista exclusiva à repórter Samara Souza, afirma que família vai reforçar a segurança
Franca, direta, falando com segurança e aparentando tranquilidade, Maria do Carmo disse que recebeu o primeiro telefonema dos sequestradores às 20h30 de sábado. “Disseram que o Wellington tinha sido sequestrado, estava bem e o colocaram para falar comigo. Daí em diante, começaram as negociações para que ele fosse devolvido com vida”, disse.
Os sequestradores voltaram a falar com ela outras cinco vezes. “Depois da primeira ligação, disseram que ligariam meia-noite para eu falar com ele, porque eu ficava exigindo isso, e no outro dia, meio-dia. Fizeram um total de cinco ligações”, revelou Maria do Carmo.
O empresário não tem qualquer referência do local onde foi aprisionado. “Encapuzavam ele, toda vez que tinha que se movimentar, e não tem noção do local do cativeiro”, disse a esposa.
Maria do Carmo só mostrou surpresa quando soube que um dos seis presos é funcionário da Fametro – e não ex-funcionário, como chegou a ser anunciado antes. “Pelas informações que passavam para a família, conheciam muito da vida da gente e só pessoas que trabalhavam por dentro da empresa é que saberiam tantos detalhes”, reagiu.
Wellington, segundo ela, está muito traumatizado, muito abalado e não quer falar com ninguém. “A gente se sente muito fragilizado. Primeiro porque não tem segurança nenhuma. Como reagir a seis homens armados? Mesmo com carro blindado, o que ele poderia fazer? Arremeter contra o portão?”
A família vai aumentar a segurança. “A gente tem que aumentar as cautelas. A gente pensava que Manaus era segura e, eu pelo menos, andava sem problema pela cidade. A sensação real que a gente agora tem é de insegurança. Nós não somos diferentes de qualquer pessoa. Eles não vieram na minha casa. A gente podia ser capturado em qualquer lugar, onde a gente pode estar sendo observada por ‘eles’. A família vai tomar suas precauções, claro”, disse.
A polícia continua em busca dos sequestradores. Confirmando as suspeitas, a esposa de Wellington Lins disse ter certeza de que o sequestrador não tem sotaque nordestino e nem nortista. “Eu presto muita atenção nisso. O sotaque era de alguém de fora. Não era de alguém do Amazonas, isso é muito certo”.