18/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Igreja e Estado

Publicado em 10 de dezembro, 2011

Quem conhece bem a história das relações entre a igreja cristã e o Estado sabe muito bem que se trata de uma história de controvérsias, com grandes prejuízos tanto para o Estado quanto para a igreja. Historicamente, somente a partir do Edito de Milão, no quarto século da era cristã, o cristianismo foi considerado como uma religião oficialmente reconhecida pelo Império Romano.

No final desse mesmo século, o cristianismo ascendeu ainda mais, pois, doravante, por decreto do imperador, tornou-se a única religião oficial do império, para sua própria desgraça. Por que? Porque até então, ser cristão significava ser discípulo de Jesus e experimentar todo ódio e perseguição de um mundo ímpio e sem temor a Deus, assim sendo, somente as pessoas que de fato eram convertidas tinham coragem de se assumirem como cristãs, em virtude dos desdobramentos perigosos de professar a fé no Filho de Deus.

Mas, a partir dessa oficialização por decreto muita gente inconversa e interesseira tornou-se “cristã”, pois, a dobradinha igreja-Estado era prato cheio para quem quisesse se dar bem. A história comprova que a tentativa do Estado de mandar na igreja e interferir na escolha das autoridades eclesiásticas, como também a tentativa da igreja de manobrar o Estado e controlar os imperadores, foi uma realidade incontestável para prejuízo da verdadeira fé que, cada vez mais, se afastava da única fonte de vida da igreja, a Palavra de Deus registrada na Bíblia Sagrada.

Desde então, os debates sobre essa relação e os limites da mesma estão na berlinda, pois, são duas instituições poderosíssimas e quem as controlar terá o tão ambicionado poder. A igreja católica, desde a colonização e há até bem pouco tempo, foi considerada religião oficial e mesmo depois da separação da igreja e do Estado; do reconhecimento de que o Estado é laico e arreligioso, tudo indica que a ficha ainda não caiu de fato, embora de direito já tenha caído há muito tempo atrás. Uma prova concreta disso são os feriados religiosos abusivos de âmbito nacional, por exemplo, 12 de outubro, e estadual, como o 8 de novembro.

Fazer com que a sociedade pare por causa de uma data significativa para uma parcela da mesma é arbitrário, desrespeitoso e contra a constituição. Isso mostra que essa separação ainda não é total, pois, se fosse, tais feriados já teriam sido abolidos. Não é a toa que agora a chamada igreja evangélica corre atrás do poder, pois, sabe que se quiser também usufruir de privilégios só conseguirá se for politicamente poderosa. Logo, muitas alianças são feitas, igrejas se comprometem com candidatos no mínimo duvidosos, já que não se prova nada no Brasil, mesmo diante dos fatos denunciados.

O resultado são políticos nos púlpitos, discursando, ao invés de estarem sentados nos bancos ouvindo a Palavra de Deus, que exalta a justiça divina e a certeza de que do juízo final ninguém escapa. Se a igreja hoje fosse parecida com o profeta João Batista, quem sabe os políticos teriam um pouquinho de temor e tremor diante de Deus.

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Autor
Jorge Max

Jorge Max é pastor da Igreja Batista Constantinópolis, em Educandos.

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