Servidores estaduais, municipais, empresários locais, fazendeiros, professores e comerciantes, envolvidos em fraudes para o recebimento dos benefícios do programa Bolsa Família, foram indiciados hoje, em Boca do Acre (AM), por policiais federais da Superintendência do Acre, num total de 50 pessoas. A investigação, iniciada há dois meses, descobriu beneficiários com renda superior a R$ 30 mil. A operação vai economizar aos cofres da União cerca de R$ 120 mil por ano.
Além dos que simulavam renda compatível com as exigidas no programa, havia os que incluíam familiares e dependentes que não residiam na mesma casa ou mesmo recebiam por falecidos. Dentre os indiciados estão até mesmo funcionários do programa Bolsa Família.
Diante da polícia, os indiciados tentaram negar a autoria do delito ou alegar “desconhecimento da Lei”. As investigações demonstraram, porém, que as irregularidades eram conhecidas dos moradores da cidade.
A gestora do programa Bolsa Família em Boca do Acre/AM, cujo nome não foi revelado, informou que diversas pessoas estão procurando o órgão voluntariamente, para a atualização do cadastro, após a ação dos federais. “Há casos de cancelamento do benefício, depois do recadastramento, por estarem fora das condições para recebê-lo”, diz nota publicada pela PF. Outras irregularidades ainda estão sendo levantadas e provavelmente mais pessoas serão indiciadas.

O bolsa-Família se destina a pessoas abaixo da linha de pobreza, mas estava beneficiando pessoas com renda mensal de até R$ 30 mil.