25/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Delegado que matou advogado no Porão é exonerado e não é mais titular de delegacia. Seap diz não ter cadeia segura para ele

Publicado em 29 de novembro, 2017

Delegado que matou advogado alega que agiu em legítima defesa

Delegado que matou advogado, Augusto Sotero, está preso e perdeu o cargo de plantonista

Delegado que matou advogado terá ato de exoneração refeito e republicado

Ato tem um erro: exoneração retroativa a 6 de outubro 2016. “Certamente será refeito”, disse o governador em exercício. A data correta é 6/10/2017, que deverá sair no ato refeito e republicado

Delegado que matou advogado, Gustavo de Castro Sotero, não é mais titular de delegacia. Ele foi exonerado do cargo AD-2 pelo governador em exercício e secretário de Segurança, Bosco Saraiva. Ele matou o advogado Wilson Justo Filho e feriu outras três pessoas. Sotero era plantonista do 1º Departamento Integrado de Polícia (DIP), na rua Duque de Caxias. O ato é datado de ontem (28/11) e foi publicado na edição desta quarta-feira do Diário Oficial do Estado.

O decreto que exonera o delegado faz referência ao Processo nº 1565.0000438.2017. O policial civil encontra-se preso, preventivamente, na Delegacia Geral. O salário dos AD-2 é de R$ 4.209,79, que se somam ao provento de delegado. “Em prisão preventiva, ele não tem como cumprir as funções de plantonista”, justificou Bosco Saraiva.

A assessoria da Secretaria de Segurança Pública (SSP) não soube dizer as decorrências da exoneração. O Departamento de Pessoal da Polícia Civil estava fechado quando o Portal do Marcos Santos buscou a informação.

Delegado que matou advogado

Gustavo Sotero, 41, está “acautelado”, após ter a prisão em flagrante convertida em preventiva na audiência de custódia. O processo está na 1ª Vara do Tribunal do Júri, com a juíza Mirza Telma de Oliveira Cunha. Ela solicitou informações da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP) sobre cela em presídio comum. A SEAP informou que “não existe unidade prisional que possua dependência segura e isolada dos demais presos para a custódia de um policial”. Ainda mais “sendo ele da ativa e ocupando o cargo de delegado”.

 

Cadeia insegura

No ofício, o secretário da Seap, coronel Cleitman Coelho, informa que o sistema não se encontra “totalmente estabilizado”. Afirma que isso é de conhecimento do Poder Judiciário, do Ministério Público e do sistema de Segurança Pública do Estado. Em eventual crise do sistema, “certamente o policial Gustavo Sotero” será um dos “principais alvos”. Ele cita as “facções criminosas” como risco para o delegado, “caso esteja custodiado em estabelecimento prisional comum”.

 

Processo disciplinar

A Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apuar a conduta de Sotero. O PAD trata de casos mais graves, que envolvem servidores dos órgãos de segurança pública.

O procedimento pode levar 90 dias e ser prorrogado, em razão de diligências. O delegado pode ser demitido da corporação, se a conclusão lhe for desfavorável. Diante do PAD, a corregedoria determinou o afastamento do policial e a retirada do porte de arma, no último domingo.

A investigação está sendo conduzida pela Unidade de Apuração de Ilícitos Penais (UAIP), que apura crimes envolvendo policiais.

 

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