O prefeito de Coari, Arnaldo Mitouso, foi condenado a oito anos de prisão, em regime fechado, pela unanimidade dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), bem como à perda do mandato, mas apenas o processo transitar em julgado – passar por todas as instâncias. Mitouso foi acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ter matado o médico e ex-prefeito do Município Odair Carlos Geraldo, em 1995. O julgamento ocorreu agora pela manhã, tendo na acusação o procurador José Hamilton Saraiva, na defesa o advogado Washington César Rocha Magalhães e na relatoria a desembargadora Encarnação das Graças Sampaio Salgado.

Os debates foram acirrados, mas os 11 que votam (presidente só vota se houver empate) optaram pela condenação
Pela Lei da Ficha Limpa, a condenação por colegiado implica perda dos direitos políticos por cinco anos. Mitouso não poderá, portanto, concorrer à reeleição. Ele foi vítima de misterioso atentado, dia 6 de agosto deste ano, atingido com um tiro de raspão no pescoço quando voltava para casa, na avenida Umberto Calderaro Filho (Paraíba).
O processo vinha se arrastando por mais de uma década e meia. Foi desaforado de Coari para Codajás. Promotores e juízes se declararam suspeitos. O prefeito foi acusado de nomear testemunhas chaves para secretarias municipais. Até que, ao assumir a presidência do TJAM, o desembargador Domingos Chalub decidiu avocar o processo para Manaus e exigir a tramitação normal do mesmo, levando ao desfecho ocorrido hoje.
A viúva de Odair, Samyr Sahdo, disse que 16 anos, três meses e oito dias depois da morte do marido se fazia Justiça. “Eles vão recorrer, eu sei, mas lá em cima também a Justiça será feita”, enfatizou, abraçada aos filhos Odair Neto e Leonardo Sahdo.
O voto da relatora Encarnação foi duro. Ela chegou a dizer que “o homicida agiu com ódio e frieza”. O desembargador Rafael Romano chegou a ser irônico, ao lamentar a demora no julgamento: “Ele se elegeu prefeito e estava pra se eleger presidente da República, antes de ser julgado”. E Graça Figueiredo comentou que “a Justiça tarda, mas não falha”.
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