A polícia parece ter esclarecido um dos crimes mais absurdos dos últimos tempos. A garçonete Ana Paula Correia Batista, 19 anos, contratou, por R$ 120, Gilberto Lopes da Silva, o “Minhoca”, 25, para matar a menina Kethlen Viana Corrêa, de apenas 14 anos, que estava namorando seu ex-namorado, Claudeney Maurício de Souza, o “Parazinho”, 19. Um outro jovem, de 17 anos, que está foragido, é acusado de ter completado o assassinato.
Ontem, por volta de 16h, Gilberto e outro comparsa, Sammy Carlos Gomes Varjão, 35, foram presos em cumprimento a mandado do juiz Mauro Antony, da 2ª. Vara Especializada em Crime de Uso e Tráfico de Entorpecente (Vecute). Ana Paula foi presa domingo (06/11) e confessou o crime. A investigação foi detalhada somente hoje, durante a apresentação dos presos à imprensa, e resultou de investigações e ação direta de policiais civis da Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca) em parceria com policiais da Força Especial de Resgate e Assalto (Fera) e da Divisão de Repressão ao Crime Organizado.
O novelo começou a ser desenrolado quando, dia 16 de outubro, Renata Alexandra Corrêa, prima da vítima, compareceu a Depca, para registrar o desaparecimento de Kethlen. Iniciada as investigações, no dia 21 de outubro, um corpo foi encontrado em um terreno baldio, na rua Hibico, no Distrito Industrial 2, e encaminhado ao Instituto Médico Legal, para exames periciais. O delegado Rafael Allemand, coordenando equipe de investigação, entrou em contato com familiares e a menina foi reconhecida pela avó materna, através das roupas. Foi feito exame de DNA e da arcada dentária do cadáver para confirmar.

Adolescente, bonita, cheia de vida, Kethlen, no cartaz que a família espalhou pela cidade, parece ter sido vítima de ciúme e da falta de escrúpulos
A delegada Linda Gláucia, de Proteção à Criança e ao Adolescente, disse que após a identificação do cadáver, a família deu outras informações e Rafael e equipe chegaram a “Parazinho”. No dia em que a adolescente foi morta, ela foi à casa do namorado, no bairro Coroado, zona Leste, para passeio até o município de Presidente Figueiredo. A autoridade policial notificou “Parazinho” a comparecer a delegacia para prestar esclarecimentos sobre o assassinato da namorada.
Ana Paula foi presa, domingo, em cumprimento a mandado de prisão, em sua residência, na rua França, bairro Nova Vitória, zona norte, onde ocorreu o homicídio. Ela tentou negar ter tido contato com a vítima, mas foi desmentida por imagens de segurança conseguidas pelos investigadores, que a mostram claramente caminhando ao lado de Kethlen, no dia em que a mesma foi morta. A irmã de Ana Paula, menor de idade, deu depoimento confirmando ter presenciado o assassinato de Kethlen.
Ana Paula trabalhava em uma lanchonete no Estúdio 5 festival Mall. Ela confessou, segundo a polícia, a premeditação do homicídio. Disse ter ido à casa de “Parazinho” e induzido a menina a acompanhá-la a sua casa, onde o crime aconteceu. Confirmou que tinha chamado “Minhoca” para ajudar a matá-la e que pagaria R$ 120 e daria o aparelho celular da adolescente pela barbaridade. Gilberto deu uma gravata na vítima e Ana Paula deferiu duas facadas no pescoço. Em seguida esconderam o corpo embaixo da cama.
A barbaridade não parou por aí. “Minhoca” retornou para casa, onde estavam Sammy e seu filho, de 17 anos, e comentou que havia acabado de matar uma pessoa. O adolescente pediu para ver. Quando puxaram o corpo da vítima que estava embaixo da cama, constataram que a moça ainda estava viva. O adolescente foi ao quintal, pegou uma mangueira e a esganou. Horas depois, os três jogaram o corpo em um terreno baldio, no Distrito Industrial 2. O adolescente, filho de Sammy, está foragido.
Ana Paula, Gilberto e Sammy foram indiciados por homicídio triplamente qualificado (promessa de pagamento, motivo fútil, ciúme e emboscada, crime premeditado), ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Eles foram encaminhados a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro.
Veja mais notícias em Destaques