06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Primeira Oficina de Parentalidade promovida pela Defensoria Pública esclarece dúvidas sobre consequências da separação de casais

Publicado em 20 de outubro, 2017

Varas de família concentram até 15 mil processos. Oficina de Parentalidade orienta casais que estão passando por situações de separação e divórcio para incentivar a conciliação. Foto: Divulgação DPE-AM

A dona de casa Marta*, 29, foi uma das inscritas na 1ª Oficina de Parentalidade, realizada na manhã desta sexta-feira (20), pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), no auditório da Escola Superior da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (Esudpam), para orientar casais que estão passando por situações de separação e divórcio e incentivar a conciliação e o diálogo entre as famílias.

Separada do marido há três anos, Marta ficou com a guarda do filho recém-nascido e o deixou levar o que tinha a idade de seis anos à época. Mas há três meses, o ex-marido levou o filho mais novo para passar o final de semana e não o devolveu mais.

“Vim aqui por querer saber mais dos meus direitos”, afirmou ela, que reclama também do fato de o ex-marido tê-la afastado do primeiro filho, hoje com 9 anos de idade, ao ponto de a criança nem chamá-la mais de mãe.

Para o defensor público geral do Estado, Rafael Vinheiro Monteiro Barbosa, as oficinas terão como foco a prevenção para buscar reduzir demandas semelhantes às de Marta.

“A Defensoria da área da família representa 85% a 90% da demanda da Defensoria Pública do Estado, público que busca soluções para conflitos relacionados à pensão alimentícia, guarda e reconhecimento de paternidade”, explicou ele, ao citar a existência de varas de famílias com até 15 mil processos.

Guarda compartilhada

Nas oficinas, os defensores passam informações a respeito das consequências de uma separação, especialmente para os filhos, explicam o que é guarda compartilhada e outros problemas comuns nos casos em que a separação do casal é conflituosa.

Para Rafael Barbosa, a ação educativa visa prevenir a ação judicial, que tem custos financeiros elevados para o Estado e prejuízos emocionais para as famílias. “O ideal é que, se a separação for inevitável, que seja consensual, porque o fim de um relacionamento não é o fim da relação, por conta dos filhos”, assegurou.

As oficinas serão ministradas pelos defensores públicos da área da família Helom Nunes e Karoline Santos, sob a coordenação da defensora pública Heloísa Helena Canto, e a ideia, segundo Rafael Barbosa, é torná-las mensais, sendo realizadas em outras zonas da cidade, para facilitar o acesso da população.

Para o defensor Helom Nunes, um dos objetivos da Oficina de Parentalidade é fazer os casais entenderem que eles se tornam ex-marido e ex-mulher, não ex-pais e ex-mães. “E as crianças devem ser preservadas ao máximo dos conflitos, porque sofrem muito com todo o processo”, argumentou.

Separação

Com uma audiência agendada na Defensoria Pública para o próximo dia 22 de novembro, Marta quer a guarda do filho de volta, pois só consegue vê-lo em fotos. “Meu ex-marido não quer que eu fique com a criança porque tenho um novo companheiro, mas sei que isso não está certo e vou buscar meus direitos”, afirmou.

Outra inscrita na oficina foi Sônia*, 38, que gostou das informações recebidas e aplaudiu a iniciativa da DPE-AM. Separada há um ano e três meses após um casamento de 17 anos, ela tem dois filhos, de 11 e 13 anos, e gostaria que o ex-marido participasse da oficina.

“Só assim ele poderia entender que precisa ser mais presente na vida dos filhos, que não basta pagar a pensão em dia, mas estar com eles mais tempo”, explicou.

Na oficina, houve palestras e apresentação de vídeos, além da distribuição de material educativo impresso, como o que orienta sobre como os pais podem ajudar os filhos a se adaptarem ao divórcio e a crescer em um ambiente saudável.

“Você deve dizer ao seu filho que o divórcio não foi culpa dele, não falar mal do ex-companheiro ou companheira para o filho ou na presença dele, evitar discutir e nem pedir para a criança para levar recado. Nem deve perguntar à criança com quem ela quer viver ou quem ama mais”, explicou a defensora Karoline Santos, apontando que situações como essas podem ser a causa de traumas que marcarão de forma negativa a vida das crianças.

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