
Depois de anos abandonada, a Siderama está sendo desmontada por invasores que ocupam sua área, virando uma grande sucata ao ar livre. Fotos: PMS
Depois de anos abandonada, a antiga Companhia Siderúrgica da Amazônia (Siderama), segue sendo desmontada por invasores, como uma antiga cidade do aço que virou sucata ao ar livre. O tempo e a ação dos ocupantes vai apagando a história desta antes importante indústria.
O Portal do Marcos Santos flagrou pessoas penduradas no telhado dos galpões para retirar as telhas de zinco. O galpão de aproximadamente 300 m² já está quase todo destelhado.
A todo momento, eles se arriscam nas alturas para a retirada de telhas de zinco. São moradores da comunidade Vila Nova, uma invasão que acabou prosperando nas imediações do KM 5 da BR-319, entre o porto da Marinha e o Porto Chibatão. Imagens aéreas mostram a dimensão da área invadida. São aproximadamente 200 casas, muitas já construídas de alvenaria.
O líder da comunidade, Raimundo Vieira, afirma que a área de responsabilidade da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), infelizmente está sendo saqueada por conta da inércia das autoridades. “Isso aqui virou uma área perigosa. Antes havia vigilantes, agora, virou terra sem dono. Tudo que não presta acontece dentro dessa área da antiga Siderama”.
Ainda segundo o líder da vila, a comunidade tem permissão para permanecer na invasão ao lado, enquanto a situação não é definida na Justiça. Ele afirma que são cerca de 300 famílias vivendo no local e que seria um prejuízo muito grande na atual circunstância, removê-las do local.
Com início das atividades na década de 1969, a cidade do aço teve um fim melancólico em 1996 após esperar por 5 anos a ajuda dos Governos Estadual e Federal.
O local da invasão fica entre uma área da Marinha do Brasil e o Porto Chibatão, cercado por vários morros, de onde os moradores retiram a madeira para a construção dos barracos, e onde em alguns espaços é possível notar a demarcação dos terrenos, com os nomes dos supostos donos do pedaço de terra.
Hoje, sem uma definição concreta sobre sua utilização, não são só os bens materiais que estão sendo furtados, mais uma parte da história do Amazonas.

Homem faz retirada de parte do telhado da antiga indústria do aço, que virou pendência na Justiça e segue abandonada ao tempo
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