A presidente Dilma Rousseff recebeu em audiência o dirigente máximo da taiwanesa Foxconn, que produzirá tablets para os mercados brasileiro e internacional a partir de Jundiaí, São Paulo. Ora, não fosse a Medida Provisória 534, de infeliz memória, a direção natural de empresas como essa, apesar das deficiências logísticas, seria o Polo Industrial de Manaus.
Mas a MP 534 garantiu incentivos tão generosos “a quem quiser estabelecer-se em qualquer parte do território nacional”, que as vantagens comparativas da Zona Franca sumiram e Manaus ficou fora do páreo. O próprio ministro da Ciência e Tecnologia, ex-senador Aloizio Mercadante, declarou a O Globo, na última sexta feira, que seis estados disputam os tablets, entre os quais Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.
E o Amazonas? Claro que jamais fez parte da cogitação do governo para produzir esses aparelhos revolucionários, tecnologicamente avançados e extremamente dinâmicos do ponto de vista econômico.
Falando em Mercadante, lembremo-nos de que portarias recentíssimas da sua pasta e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior prejudicam frontalmente o polo de celulares do Amazonas. Tais portarias autorizam a importação de parte dos carregadores de celulares e também a realização de etapas da produção em qualquer região brasileira. Trocando em miúdos, a ZFM tende a perder competitividade também no tocante aos celulares.
As portarias ministeriais ameaçam 10 mil empregos e são rude golpe no polo componentista instalado em nosso estado. Afinal, tudo conspira nesse lamentável sentido.
Perdemos os modens, os tablets e vemos sob risco a permanência das indústria de celulares, que já representaram peso específico significativo no PIM. A guerra fiscal movida por São Paulo e a obstinação do governo central em esvaziar o modelo causam danos irreparáveis.
Outra notícia ruim é a chinesa Shineray se dispor a produzir motocicletas na área do porto de Suape, em Recife, sob o protesto dos líderes empresariais amazonenses. O perigo está em, eventualmente, essa empresa lograr produzir com preços mais baixos que os do Distrito Industrial. E isso poderá ocorrer, graças aos inventivos que recebe de Pernambuco e ao crescente clima de descrédito em torno do futuro da Zona Franca de Manaus.
Certamente, empresas do nosso polo de duas rodas já devem estar fazendo as suas contas. Velejarão a favor do vento e jamais contra ele, não nos iludamos!
Parece uma ação concertada para destruir o muito que no Amazonas se fez pela economia brasileira, pela segurança nacional, pela manutenção da floresta em pé. Não me surpreenderão ataques contra o polo de televisores. Até já os aguardo, obviamente que em posição de luta.
Vejo o PIM em trajetória descendente. Que falsos líderes parem de enganar o povo com números do presente-passado. Na verdade, estamos perdendo o presente-futuro.
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus