14/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Alerta máximo

Publicado em 16 de outubro, 2011

A presidente Dilma Rousseff recebeu em audiência o dirigente máximo da taiwanesa Foxconn, que produzirá tablets para os mercados brasileiro e internacional a partir de Jundiaí, São Paulo. Ora, não fosse a Medida Provisória 534, de infeliz memória, a direção natural de empresas como essa, apesar das deficiências logísticas, seria o Polo Industrial de Manaus.

Mas a MP 534 garantiu incentivos tão generosos “a quem quiser estabelecer-se em qualquer parte do território nacional”, que as vantagens comparativas da Zona Franca sumiram e Manaus ficou fora do páreo. O próprio ministro da Ciência e Tecnologia, ex-senador Aloizio Mercadante, declarou a O Globo, na última sexta feira, que seis estados disputam os tablets, entre os quais Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

E o Amazonas? Claro que jamais fez parte da cogitação do governo para produzir esses aparelhos revolucionários, tecnologicamente avançados e extremamente dinâmicos do ponto de vista econômico.

Falando em Mercadante, lembremo-nos de que portarias recentíssimas da sua pasta e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior prejudicam frontalmente o polo de celulares do Amazonas. Tais portarias autorizam a importação de parte dos carregadores de celulares e também a realização de etapas da produção em qualquer região brasileira. Trocando em miúdos, a ZFM tende a perder competitividade também no tocante aos celulares.

As portarias ministeriais ameaçam 10 mil empregos e são rude golpe no polo componentista instalado em nosso estado. Afinal, tudo conspira nesse lamentável sentido.

Perdemos os modens, os tablets e vemos sob risco a permanência das indústria de celulares, que já representaram peso específico significativo no PIM. A guerra fiscal movida por São Paulo e a obstinação do governo central em esvaziar o modelo causam danos irreparáveis.

Outra notícia ruim é a chinesa Shineray se dispor a produzir motocicletas na área do porto de Suape, em Recife, sob o protesto dos líderes empresariais amazonenses. O perigo está em, eventualmente, essa empresa lograr produzir com preços mais baixos que os do Distrito Industrial. E isso poderá ocorrer, graças aos inventivos que recebe de Pernambuco e ao crescente clima de descrédito em torno do futuro da Zona Franca de Manaus.

Certamente, empresas do nosso polo de duas rodas já devem estar fazendo as suas contas. Velejarão a favor do vento e jamais contra ele, não nos iludamos!

Parece uma ação concertada para destruir o muito que no Amazonas se fez pela economia brasileira, pela segurança nacional, pela manutenção da floresta em pé. Não me surpreenderão ataques contra o polo de televisores. Até já os aguardo, obviamente que em posição de luta.

Vejo o PIM em trajetória descendente. Que falsos líderes parem de enganar o povo com números do presente-passado. Na verdade, estamos perdendo o presente-futuro.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Arthur Virgílio Neto

* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.