06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Parintins, 159 anos

Publicado em 09 de outubro, 2011

A distância aviva as recordações mais caras. Esta semana, diante da proximidade do aniversário de Manaus, minha terra querida, no dia 24 de outubro, lembrei-me que neste mês também, dia 15, ocorre o aniversário de Parintins, de onde me considero cidadão honorário. Terei a chance, mais para falar, de homenagear a capital, mas hoje dedico esse espaço aos 159 anos da Ilha Tupinambarana.

Parintins, terra de minha esposa, Goreth, tem lugar especial em minha vida. Trago o Carmo no nome, herdado de meus primeiros, e devoção por Nossa Senhora do Carmo, padroeira dos parintinenses. É engraçado notar, em retrospectiva, como me sinto muito mais comprometido em visitar a cidade entre 6 e 16 de julho, época do Círio do Carmo, que no período do espetáculo maravilhoso proporcionado por Garantido e Caprichoso, no Festival Folclórico.

Geograficamente isolada, equidistante de Belém e Manaus, os dois maiores centros urbanos da Amazônia, situado no arquipélago das Ilhas Tupinambaranas, esse povo bravo venceu todas as probabilidades e se impôs como agente cultural. É essa gente, da Francesa ao São José, do azul e do vermelho, catalizadora da mais importante festa folclórica do Brasil, responsável pelo movimento e grandiosidade das melhores alegorias do Carnaval do Rio, São Paulo, Salvador, Porto Alegre e onde mais haja espaço para a interminável criatividade de seus artistas.

Note-se que, ano após ano, desfalcado de seus artistas consagrados por conta do apelo de outros Estados, durante o Carnaval, Parintins vê nascer novos talentos durante o CarnaIlha, festa que vai ocupando espaço nobre no calendário recheado de eventos da cidade.

Na última eleição, quando as forças que incomodei com minha fiscalização implacável, em oito anos no Senado Federal, se uniram para tentar me derrotar, foi a Parintins que dedicaram atenção especial. Sabiam que a cidade, mais que uma questão eleitoral, tem um cantinho especial em meus sentimentos. Nada melhor que uma derrota entre os parintinenses, a quem tanto dediquei, imaginaram eles, para me atingir o coração. O resultado numérico que emergiu das urnas, porém, não reflete em nada os laços que me unem a esse povo, exceto pela bravura de tantos votos a mim oferecidos, apesar da tentativa de imposição econômica. E nossa ligação ficou ainda mais forte.

Aprendi a conhecer e admirar Parintins, das praias do Uaicurapá, com toda razão chamado de “Caribe Parintinense”, do misterioso Mamuru, do majestoso Paraná do Limão, da grande Serra, na divisa com o Pará, das águas barrentas do Amazonas e negras dos seus lagos, da fantástica variedade de peixes e do abraço acolhedor de tantos amigos.

Parintins, aos 159 anos, segunda cidade do Estado do Amazonas, ainda uma criança, diante de tudo que o futuro te reserva. Teu povo há de alcançar o tamanho que mereces, sempre além do que de ti esperam e de acordo com o horizonte de glória e conquistas que teus antepassados legaram.

Parabéns, Parintins. Felicidades, parintinenses.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Arthur Virgílio Neto

* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.