Começaram as especulação em relação a sucessão municipal de 2012. Pesquisa publicada por um blog da cidade indica uma disputa acirrada entre três políticos que já comandaram a Prefeitura: Eduardo Braga, Serafim Correa e Amazonino Mendes.
A partir de hoje publicarei uma série de artigos analisando o cenário e as articulações com vistas a sucessão municipal de 2012. Obviamente, não reivindico imparcialidade já sou filiado a um partido que terá candidato a Prefeito, mas farei uma análise com minha experiência de 18 anos na vida partidária, como partícipe de parte das negociações e como observador dos movimentos no meio político.
GRUPO OMAR/EDUARDO (PMDB, PSD, PP, PTB e pequenos partidos)
Começo essa série de artigos, com o grupo Eduardo Braga e Omar Aziz (PMDB, PSD, PP, PTB e pequenos partidos)
O cenário apresentado pela pesquisa coloca o senador Eduardo Braga à frente nas intenções de voto, situação claramente motivada pelo recall da eleição passada e pela avassaladora máquina de propaganda que o cerca. Quadro que certamente não resistirá ao debate e ao contraponto, já que sua passagem pelo governo deixou índices desastrosos na educação e na saúde pública, um absoluto descontrole na segurança pública, uma dívida estratosférica pra seu sucessor e sua estada no senado tem sido desastrosa, marcada pela capitulação e pelo desinteresse na defesa dos interesses da Zona Franca de Manaus.
O lançamento das outras candidaturas sugeridas pelo grupo, deputada Rebecca Garcia (PP) ou deputado Marcos Rotta (PMDB), apesar das suas qualidades como parlamentares, na minha leitura, consolidariam uma polarização entre Amazonino e Serafim, já que não tem a mesma densidade do senador e ficariam sem discurso de situação, porque esse é do Amazonino candidato a reeleição, e nem de oposição, porque estiveram no palanque do Amazonino historicamente e, inclusive, na última eleição municipal.
Ademais, Eduardo (cria) e Amazonino (criador) são, na linguagem popular, farinha do mesmo saco. Têm os mesmos agentes financeiros, representam os mesmos interesses e dividem o mesmo perfil do eleitorado. Tanto é verdade, que os dois só se enfrentaram quando tiveram a certeza de que um dos dois ganharia (2006, por exemplo), em todos os outros cenários estavam juntos (2002, por exemplo).
Assim, não é de se excluir a possibilidade de uma grande aliança em torno da candidatura à reeleição do prefeito Amazonino, com o grupo de Eduardo indicando o vice e juntando aqueles que nunca se separaram, num acordo que visaria facilitar o retorno do senador ao governo em 2014.
Esse cenário de unidade seria ideal para o governador Omar Aziz, declaradamente simpático ao prefeito Amazonino, que pode ser o principal articulador da união.
Alguns apostam que a eleição de 2012 pode consolidar um racha entre Eduardo e Omar. A despeito da guerra velada pela ocupação de espaços de poder entre os dois (sobre isso publicarei um artigo específico), os que apostam nesse racha, podem esquecer! Os projetos eleitorais de ambos não são conflitantes já que Omar já é reeleito e não pode ser candidato ao governo em 2014, o que é o maior objeto de cobiça do senador Eduardo Braga, portanto, ambos só têm a perder com a divisão.
Num cenário, improvável de acirramento do conflito entre Eduardo e Amazonino, o máximo que se pode esperar do governador é adotar uma atitude de magistrado no processo eleitoral de Manaus o que, certamente, provocaria a ira do senador que ainda se julga dono do destino do seu ex-vice, hoje governador.
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* Marcelo Ramos (PSB-AM) é deputado estadual.