15/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Crise não se combate com ajuste fiscal (II)

Publicado em 07 de outubro, 2011

Nesse segundo artigo da série continuaremos abordando a atual conjuntura econômica mundial, na visão da Executiva Nacional da CUT, em resolução tirada e aprovada em setembro, na reunião ocorrida na sede da entidade, em São Paulo/SP …

A Central Única dos Trabalhadores entende que o enfrentamento à crise se faz

Impulsionando a produção nacional e o desenvolvimento do mercado interno, mas, incentivando a redução dos juros e tendo o Estado como indutor desse desenvolvimento. Para isso, deve colocar os bancos públicos – como o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal – a serviço da produção. Em contrapartida, condicionar o crédito à geração e estabilidade dos empregos, o respeito à Legislação Trabalhista, à atuação sindical e o combate à terceirização.

Na contramão desse processo, o Banco Central teve a desfaçatez de divulgar em um recente relatório, que “existe um alto risco na concessão de aumentos de salários, incompatíveis com o crescimento da produtividade e com forte repercussão negativa na dinâmica da inflação”. Uma inverdade que nos tentam incutir, principalmente, porque se pronunciou após ter reduzido em míseros 0,5% – os altos juros, que sangram o Orçamento público, o mesmo que hoje engordam banqueiros, rentistas e especuladores.

Na visão da CUT o enfrentamento à crise se faz com reforma tributária. Estudo do IPEA mostra que, enquanto as famílias mais pobres têm uma carga tributária de 32% de sua renda, as mais ricas têm apenas 21%. Para a CUT, é necessário que o sistema tributário seja progressivo, socialmente justo, para poder reduzir as desigualdades de distribuição de riqueza e renda e, que possibilite o Estado oferecer um sistema de gastos públicos que promova a igualdade de acesso e oportunidades.

Enfrentamento à crise se faz com política de valorização real do salário mínimo, fortalecimento das aposentadorias, aumento dos salários e geração de empregos; com a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e da rotatividade no emprego; fortalecimento da agricultura familiar; organização sindical no local de trabalho e combate às práticas antissindicais; respeito à Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que põe fim à demissão imotivada e à Convenção 151, que regulamenta a negociação coletiva no serviço público. Enfrentamento à crise se faz com a implementação do piso nacional da educação, destinação de 10% do PIB para a Educação, com o fim das privatizações dos aeroportos, com maior controle público sobre os setores estratégicos da economia nacional. Enfrentamento à crise se faz com mobilizações e lutas.

Por isso, a CUT conclama sua militância a intensificar a pressão por ganhos reais nas campanhas salariais, realizando manifestações, especialmente envolvendo os trabalhadores das estatais.

A CUT conclama o conjunto de sua militância a ampliar e fortalecer as campanhas de greves em curso. A CUT convoca suas entidades filiadas e todas as categorias a apoiarem as greves dos trabalhadores com mobilizações e solidariedade.

Somos fortes, Somos CUT!

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Autor
Valdemir Santana

* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.

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