20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O brasileiro médio

Publicado em 03 de julho, 2017

Estava nesse final de semana em uma conversa animada com um dileto amigo que em certa altura, no calor das argumentações de um esquerdista doutrinador, perguntou-me: “Onde foram parar as panelas tramontinas que foram batidas contra o governo popular do PT”. Após pacientemente escutar calado todas as lamúrias de quem nitidamente sofre angustiado com algo parecido com a Síndrome de Estocolmo, na qual a vítima apaixona-se pelo seu algoz, falava de forma veemente, quase com uma profissão de fé, pedindo a volta de Lula ao Planalto Central. E novamente repetia: “cadê as panelas?”.

Em um arroubo de paciência, em consideração a nossa longa amizade, dessas construídas com os pés descalços correndo atrás de uma bola e nas brincadeiras infantis até o primeiro alvorecer do primeiro amor da adolescência, desse tempo terno que lembra o fim de nossa inocência, hoje representando uma vaga lembrança de um mundo melhor que parece somente existir no passado que me permitiu deixá-lo falar até cansar e enfim oferecer-me a palavra.

Disse-lhe que o brasileiro médio em geral está tão ocupado em cuidar de sua própria vida, de cuidar da educação e alimentação dos filhos, aflito com os preços dos alimentos no supermercado, com a ameaça de perder o emprego e ver-se mergulhado na feroz estatística que o faria mergulhar na linha da pobreza, já está desesperançoso com a política, principalmente porque o governo que foi deposto já não apresentava condições, tanto moral quanto política, para conduzir as reformas necessárias que pudessem afastar todos esses temores. Assim, como havia a oportunidade de mudar, mesmo que não sendo da maneira ideal, existia o sentimento que outro governo entendendo a alma do brasileiro médio pudesse entregar novamente esperança. Contudo, com o avançar da lava jato e das delações que desnudaram a elite político-partidária encastelada no poder (herança do governo anterior) e ainda jogando lama no candidato derrotado na última eleição presidencial que naturalmente poderia ser um nome que seria lembrado como alternativa para uma nova visão de governo, fez aumentar a desesperança. Desta forma, as gravações transformaram-se na mais robusta prova que são todos iguais e, portanto, por que ir as ruas bater panelas se a alternativa que existe é tão pior quanto a existente? O brasileiro médio caminha como um zumbi, cujo sangue foi-lhe tirado das veias pela seringa da corrupção que é como um monstro sanguessuga de apetite insaciável que mata até roubar a última gota.

O brasileiro médio distante da vida política não acredita que os representantes eleitos no congresso, nas câmaras estaduais e municipais o representem em virtude de tão longínqua que a elite política está da realidade do brasileiro. Assim, o brasileiro médio assiste passivo e sem esboçar reação porque está apático quanto as reais alternativas de sucessão de poder. O brasileiro médio rejeita o PSDB de Aécio, o PT de Lula e Dilma, o PMDB de Temer, todos os comparsas e tudo mais que represente corrupção. O brasileiro médio quer cuidar de sua família, deseja emprego, um país sem inflação, um serviço público de saúde de qualidade e educação idem. O brasileiro médio apenas espera respeito.

 

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Autor
João Lago

* João Lago é professor universitário, mestre em Administração (Estratégica / Marketing), tem 10 ...

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