
Candidatos a pleito suplementar suspenderam toda a agenda do dia de hoje. Primeiro turno está marcado para 6 de agosto. Foto: Divulgação
A maioria dos candidatos a governo do Estado do Amazonas suspendeu as atividades de campanha nesta quinta-feira (29), após a decisão de ontem à noite, do ministro Ricardo Lewandowski, do Superior Tribunal Federal (STF), suspendendo, liminarmente, o pleito suplementar. O secretário de Comunicação estadual, Cláudio Barbosa, informou logo pela manhã que uma posição do governador David Almeida seria informada após consulta à Procuradoria Geral do Estado (PGE).
Para o ex-governador e ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT), que usou suas redes sociais hoje, a decisão do STF surpreende e “pega a todos de calça curta”: “Estamos atônitos e surpresos. Tudo bem, é a Justiça. Temos que aguardar a decisão final com paciência”, falou Amazonino, do “Movimento pela reconstrução do Amazonas”. O candidato, entretanto, manteve bem acesa a chama da esperança e chamou a todos para, olho no olho, não perder a fé. “O fundamental é a reconstrução do nosso Estado. Mas cedo ou mais tarde, isso terá que acontecer. Fiquemos de plantão, a postos, é nosso dever, dever de amazonense, com nossos filhos, nossos netos e para com o futuro”.
Candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Eduardo Braga (PMDB), Marcelo Ramos (PR) falou que os advogados da coligação “União pelo Amazonas” estão tomando as providências e a campanha agora será pelo direito do povo escolher diretamente o novo governador. “E que este governador, eleito, tenha legitimidade para tirar o Amazonas da profunda crise que causa tanto sofrimento à nossa gente”, falou.
Já Braga, usou suas redes sociais ainda na noite de ontem para mostrar surpresa e indignação ao receber a notícia da suspensão do pleito no Amazonas. “Depois de tudo o que vivemos na disputa de 2014 – compra de votos, uso da máquina, abuso de poder econômico, entre outros – é difícil acreditar que essa decisão, ainda provisória, será mantida. Suspender as eleições é entregar o estado de novo para o mesmo grupo que colocou o Amazonas na UTI. Essa ação é de autoria do ex-vice-governador cassado Henrique Oliveira, com o apoio do deputado Abdala Fraxe, do PTN”, afirmou.
O senador afirmou de forma contundente que não vai parar de lutar um segundo até tirar o Amazonas dessa crise. “Eu não vou desistir até que o nosso estado volte a ser respeitado. O meu compromisso é com os milhões de amazonenses que sofrem as consequências diretas do caos promovido por esse grupo. A gente já provou que o Amazonas tem jeito. Eu estou na luta e nela ficarei até recuperar as esperanças dos amazonenses”, falou com os internautas. Braga usou a hasthag #AmazonasDiretasJá.
Bem inconformado, o deputado estadual Marcelo Serafim (PSB), da “Coragem e atitude para mudar o Amazonas”, disse que a decisão do Supremo pegou a todos de surpresa e que entende, junto com o seu vice, Sirlam Cohen, que o melhor caminho para retirar o Estado da crise é a realização das eleições de forma direta, com o povo decidindo seus caminhos: “Lamentamos que a Justiça brasileira não nos dê a devida segurança jurídica necessária em todo Estado democrático de direito”. A chapa continuará aguardando a decisão final para ajudar a construir um estado liberado por uma nova geração política, e não por “aqueles que insistem em levar o Amazonas para o caminho do atraso político”.
Da “Coragem para renovar”, a ex-deputada federal Rebecca Garcia (PP) também se pronunciou sobre a reviravolta no pleito de 2017, afirmando que a “Justiça precisa ser respeitada. Agora devemos aguardar na certeza que essa decisão será célere, pois estamos tratando do futuro do Amazonas e dos amazonenses”.
Minoria política
“É dever respeitar e cumprir decisões judiciais, o que fazemos esperando a realização plena da Justiça. E a eleição suplementar direta para o Governo do Amazonas é um pleito de Justiça já consagrado pelo TRE e TSE”, afirmou o candidato petista José Ricardo Wendling. Para ele, é impossível desconhecer que a decisão liminar e monocrática, interrompe a campanha eleitoral já iniciada, causa instabilidade política e agrava a situação calamitosa em que se encontra o Estado do Amazonas”. O deputado estadual espera que se restaure rapidamente as decisões que determinam a realização de eleição suplementar direta para o Governo do Amazonas.
A chapa “Mudança com segurança”, de Liliane Araújo (PPS), lamentou a decisão do Supremo, mesmo em caráter liminar. “Respeito a decisão da Justiça, deve acontecer, mas é inadmissível que o futuro de um Estado esteja nas mãos de uma minoria política. Que os embargos de declaração sejam julgados o mais breve possível, sem prejuízo à sociedade”, fala o presidente do partido, Elcy Barroso Jr.
Para Elcy, o povo já sofreu muito com um governo distante e uma eleição suplementar é a oportunidade de dar voz ao cidadão. “O PPS segue firme no projeto de eleger a jornalista Liliane Araújo ao governo”. Para Liliane, é dever respeitar e cumprir decisões judiciais, o que fará esperando o julgamento dos recursos. “A única forma de resguardar a democracia, o Estado de Direito, o respeito às instituições e a soberania popular é devolver ao povo do Amazonas o direito de escolher o seu legítimo governador, depois de comprovada e reconhecida nos tribunais a corrupção que manchou a eleição de 2014”.
O deputado estadual Luiz Castro (Rede) falou que a liminar é isolada, equivocada e destituída de bom sendo do ministro. “O povo amazonense já sofreu muito sob o julgo desta corrente política que há 34 anos está no poder, e tem como expoente máximo o governador cassado José Melo, de incompetência, de omissão e de permissão de atos de corrupção que prejudicam a população”, comentou. A coligação “O começo de uma grande luta”, estuda, por meios jurídicos, como reverter a decisão e transformar o anseio do caboclo amazonense de escolher seus governantes.
Esperança também é a palavra que norteia o candidato e vereador Wilker Barreto (PHS), de “Por um novo Amazonas”, mas que irá respeitar a determinação e suspendeu a agenda da campanha. “Acredito na democracia, na esperança do povo em querer a mudança. Foi isso que senti, durante minhas caminhadas, reuniões e no corpo a corpo com a população. Ela está insatisfeita e precisa sim ter o direito de escolher o que é melhor para o nosso Amazonas”.