
Dos 15 conteúdos submetidos pela organização Eko, 13 passaram pelos sistemas de moderação do Facebook e Instagram, embora nenhum tenha sido exibido aos usuários. (Foto: Reprodução)
Um experimento realizado pela organização britânica Eko apontou que a Meta aprovou 13 de 15 anúncios políticos falsos produzidos com inteligência artificial e direcionados ao público brasileiro. Os conteúdos foram submetidos aos sistemas de moderação do Facebook e do Instagram como parte de um teste sobre a capacidade das plataformas de identificar publicidade eleitoral irregular.
Segundo o levantamento, os anúncios foram pagos por uma conta registrada nos Estados Unidos e continham informações falsas relacionadas às eleições brasileiras. Entre os materiais estavam conteúdos que apresentavam uma data incorreta para a votação e peças com mensagens associadas à violência.
As imagens utilizadas nos anúncios foram produzidas ou manipuladas com ferramentas de inteligência artificial. Entre os conteúdos aprovados estava uma imagem artificial do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, anunciando uma suposta mudança na data das eleições. Outro anúncio apresentava uma imagem gerada por IA de Donald Trump ao lado de Flávio Bolsonaro, com uma mensagem de apoio ao candidato.
Os 13 anúncios aprovados não foram identificados pela plataforma como propaganda política e também não receberam a sinalização referente ao uso de inteligência artificial. As peças, no entanto, não chegaram a ser exibidas aos usuários.
O objetivo do experimento era verificar se os mecanismos automatizados da Meta seriam capazes de barrar conteúdos que contrariassem as regras eleitorais brasileiras. O resultado apontou que a maior parte dos materiais submetidos conseguiu passar pela primeira etapa de análise da plataforma.
O teste ocorre em um cenário no qual a Justiça Eleitoral estabeleceu regras específicas para conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial durante as Eleições 2026. O TSE definiu critérios para caracterizar conteúdos como deepfakes e prevê restrições para o uso desse tipo de material em propaganda eleitoral.
A Meta apresentou ao TSE um plano de conformidade para o pleito deste ano, com medidas voltadas ao combate à desinformação, à identificação de materiais produzidos por IA e à fiscalização de anúncios políticos.
Procurada sobre o resultado do teste, a empresa afirmou que mantém o compromisso com a proteção do processo eleitoral em suas plataformas e destacou que os anúncios utilizados no experimento foram detectados antes de serem disponibilizados ao público.
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