10/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

‘Cada um responde e defende o seu CPF’, diz Roberto Cidade sobre Wilson Lima em entrevista ao G6

Publicado em 10 de setembro, 2026

Foto: Divulgação

O governador Roberto Cidade (União Progressista) afirmou nesta quinta-feira (10/9) que sua relação política com o ex-governador Wilson Lima não significa que tenha de responder por atos do antecessor. “Cada um responde, cada um defende o seu CPF”, disse, ao ser questionado sobre a aliança entre os dois.

A declaração foi um dos momentos da entrevista concedida por Cidade ao G6, consórcio formado pelo Portal do Marcos Santos, Blog do Hyel Levi, Portal Único, Amazonas Atual, Portal do Mário Adolfo e BNC. A sabatina ocorreu entre 11h e 12h, nos estúdios do Amazonas Atual, em Manaus, com a participação de representantes dos seis veículos.

Cidade respondeu a questões sobre sua trajetória política, a relação com Wilson Lima, pagamentos atrasados na saúde, indicadores de segurança e educação, Auxílio Estadual, Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e contratos de empresas ligadas à sua família com o poder público.

Relação com Wilson Lima

Ao ser questionado sobre Wilson Lima, Cidade procurou separar sua trajetória política da do ex-governador. Relembrou que disputou uma vaga de vereador de Manaus, ficou como primeiro suplente e, posteriormente, foi eleito deputado estadual.

Dois anos depois de chegar à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), disputou a presidência da Casa contra Alessandra Campelo, então candidata apoiada pelo Governo do Estado. Cidade venceu aquela eleição e consolidou sua posição dentro do Legislativo.

O governador também ressaltou que chegou ao comando do Estado após ser eleito presidente da Assembleia por unanimidade, recebendo votos inclusive de deputados que atualmente estão vinculados a candidaturas adversárias.

Entre eles estão Alessandra Campelo, hoje candidata a vice-governadora na chapa de Omar Aziz (PSD); Daniel Almeida, irmão do candidato David Almeida (Avante); Abdala Fraxe, marido de Shádia Fraxe, candidata a vice na chapa de David; além de parlamentares ligados ao PL, como Delegado Péricles e Cabo Maciel.

Ao reconstruir esse histórico, Cidade sustentou que sua atuação política não pode ser tratada como extensão automática da administração de Wilson Lima.

“Cada um responde, cada um defende o seu CPF”, afirmou.

R$ 300 milhões para médicos

Outro tema da entrevista foi a dívida acumulada com médicos que prestam serviços à rede estadual de saúde. Cidade afirmou que, desde que assumiu o Governo do Amazonas, já foram pagos aproximadamente R$ 300 milhões aos profissionais.

Segundo ele, após assumir o cargo chamou representantes dos médicos para discutir os atrasos e estabeleceu um acordo para regularizar os pagamentos.

O governador afirmou que a orientação é impedir que os profissionais voltem a passar um mês sem receber pelo menos uma competência. Disse ainda que, em determinados períodos, o Estado vem pagando mais de uma competência para reduzir o passivo acumulado.

Segurança avança; educação está em último lugar

Cidade também foi confrontado com indicadores que mostram situações opostas em duas áreas fundamentais do Estado.

Segundo o governador, o Amazonas avançou da sétima para a quinta posição nacional em segurança pública no levantamento citado durante a entrevista. Ele atribuiu o resultado a operações policiais, investimentos e ações contra organizações criminosas.

Cidade reconheceu, porém, a complexidade de combater o crime organizado no Amazonas, principalmente pela extensão territorial, fronteiras internacionais e rede de rios utilizada pelo narcotráfico.

Segundo ele, as ações das forças estaduais já provocaram prejuízo superior a R$ 200 milhões ao crime organizado, considerando principalmente as apreensões de drogas.

O cenário apresentado para a educação foi bem diferente. No mesmo indicador mencionado na entrevista, o Amazonas ocupa a 27ª posição do país.

Cidade afirmou que o resultado exige mudanças e citou entre as primeiras medidas o concurso público para contratação de novos professores. Defendeu ainda uma modernização do ensino estadual, com maior presença de tecnologia, informática avançada e inteligência artificial nas escolas.

O governador usou como referência a Fundação Matias Machline, instituição de ensino de Manaus que mantém parceria com o Estado e apresenta desempenho acadêmico de excelência.

Segundo Cidade, o objetivo não é apenas manter o convênio, mas fazer com que a própria rede pública estadual avance para um modelo de ensino semelhante.

Auxílio de R$ 250 e R$ 500 para mães de PcDs

Cidade voltou a defender a proposta de aumentar de R$ 150 para R$ 250 o valor do Auxílio Estadual.

Questionado sobre por que o reajuste não é realizado imediatamente, afirmou que a mudança não está prevista no orçamento atual. Segundo ele, o aumento será incluído no próximo orçamento caso seja reeleito.

O governador também detalhou a proposta destinada às mães de pessoas com deficiência (PcDs). As mães que já estiverem entre as beneficiárias do Auxílio Estadual passarão, segundo a proposta, a receber R$ 500 mensais, o dobro dos R$ 250 previstos para os demais beneficiários.

Cidade promete concluir obra da UEA

Um dos anúncios da entrevista foi a decisão de retomar e concluir a obra da Universidade do Estado do Amazonas.

Cidade afirmou que existem cerca de R$ 200 milhões de recursos públicos já aplicados na estrutura e classificou esse dinheiro como um patrimônio que precisa ser recuperado.

Na avaliação do governador, abandonar definitivamente a construção significaria perder o investimento já realizado. Ele assumiu o compromisso de concluir a obra.

Contratos da família

Outro momento de confronto ocorreu quando Cidade foi questionado sobre contratos de empresas de familiares com o Governo do Amazonas.

O governador afirmou que determinou o cancelamento de todos os contratos envolvendo sua família depois que assumiu o Executivo.

Também negou responsabilidade por um reconhecimento de valor devido a empresa ligada à família que apareceu recentemente no Diário Oficial. Segundo Cidade, embora a publicação tenha ocorrido durante seu governo, a decisão administrativa é de 2023 e, portanto, anterior à sua chegada ao cargo.

Cidade aproveitou o tema para desafiar adversários a adotarem o mesmo procedimento.

Citou nominalmente Omar Aziz e afirmou que irmãos do senador mantêm contratos com o Governo do Amazonas. O governador defendeu que os demais candidatos também afastem familiares de relações contratuais com a administração estadual.

De candidato econômico a entrevistado acelerado

A entrevista também mostrou uma mudança na desenvoltura pública de Roberto Cidade. Na campanha anterior para a Prefeitura de Manaus, o então candidato enfrentava críticas sobre dificuldades de comunicação e resistência a entrevistas mais longas.

Nesta quinta-feira, o cenário foi diferente.

Cidade respondeu de forma extensa e acelerada. Em vários momentos, partiu de uma pergunta para abordar dois ou três outros assuntos, obrigando os seis entrevistadores a disputar espaço para novas questões e intervenções.

Ao longo de uma hora, passou por alguns dos principais pontos vulneráveis de sua administração e por temas que devem permanecer no centro da campanha eleitoral.

O G6 dará sequência à série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Amazonas. A próxima sabatina está marcada para terça-feira (15/9), com a candidata do PL, Maria do Carmo Seffair Lins.

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