
Aplicativo Selva aponta concentração elevada de partículas poluentes em vários pontos da capital; fumaça tem origem em queimadas no sul do Amazonas e em estados vizinhos. (Fotos: Hector Muniz/PMS)
Manaus amanheceu encoberta por uma densa camada de fumaça nesta quarta-feira (9), com forte cheiro de queimadas e visibilidade reduzida em diferentes regiões da cidade. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontam que a qualidade do ar oscila entre os níveis moderado (amarelo) e ruim (laranja) em vários pontos da capital.

Captura de tela do APP Selva mostra qualidade do ar em Manaus. (Foto: Reprodução)
De acordo com o monitoramento realizado por volta das 5h45, os sensores registraram concentrações elevadas de partículas finas (PM2,5), com índices que chegaram a ultrapassar 100 µg/m³ em algumas estações. Pela classificação do aplicativo Selva, índices entre 25 e 50 µg/m³ são considerados moderados, enquanto valores entre 50 e 125 µg/m³ já entram na faixa ruim.
Os pontos mais críticos da manhã foram registrados em áreas como Ponta Negra, Tarumã, Efigênio Sales (AM-010), Lago Azul e Nova Cidade, onde a concentração de poluentes apresentou os maiores picos. Algumas estações, no entanto, permaneceram em nível moderado, com registros próximos de 26 µg/m³.
Segundo pesquisadores do Laboratório de Clima e Ambiente (Labclim) da UEA, a fumaça que chegou a Manaus não é proveniente apenas de queimadas na Região Metropolitana. O avanço de uma frente fria pelo centro-sul do Brasil alterou temporariamente o regime de ventos na região, direcionando para a capital as plumas de fumaça geradas por incêndios no sul do Amazonas, sul de Rondônia e norte de Mato Grosso.
“Tivemos um avanço de uma frente fria pelo centro-sul do Brasil; ela provoca ajuste no campo de pressão sobre o continente. O efeito prático é a substituição do regime de ventos de leste/nordeste — típico da região — por escoamento de componente sul a sudeste em baixos níveis. Esse redirecionamento conecta Manaus às áreas de queima ativa”, explicou o pesquisador Fábio Nunes, do Labclim/UEA.
A estiagem também agrava a situação. A ausência de chuvas reduz o mecanismo natural de “limpeza” da atmosfera, conhecido como deposição úmida, fazendo com que os poluentes permaneçam por mais tempo próximos à superfície.

Segundo pesquisadores do Laboratório de Clima e Ambiente (Labclim) da UEA, a fumaça que chegou a Manaus não é proveniente apenas de queimadas na Região Metropolitana. (Fotos: Hector Muniz/PMS)
A fumaça das queimadas contém partículas finas (PM2,5) capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório, podendo causar irritação nos olhos, garganta, tosse e falta de ar, além de agravar quadros de asma e bronquite. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem ter atenção redobrada.
A recomendação é evitar atividades físicas ao ar livre, manter portas e janelas fechadas, beber bastante água e, em áreas mais afetadas, utilizar máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100.
Com a previsão de ventos fracos para esta quarta-feira, a fumaça pode permanecer concentrada sobre a cidade ao longo do dia, mantendo a qualidade do ar em níveis preocupantes até que novas condições meteorológicas favoreçam a dispersão dos poluentes.
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