03/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Manaus pode enfrentar escassez crítica de água até 2040, aponta estudo

Publicado em 03 de setembro, 2026

Manaus pode enfrentar escassez crítica de água até 2040, aponta estudo

Mesmo localizada na região amazônica, onde está a maior bacia hidrográfica do mundo, Manaus enfrenta riscos para a segurança hídrica nos próximos anos. Os impactos das mudanças climáticas e o uso indiscriminado de poços subterrâneos podem levar a capital do Amazonas a atingir níveis críticos de abastecimento até 2040.

É o que indica o estudo inédito “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade”, produzido pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados. A pesquisa foi apresentada na manhã desta quinta-feira (03), durante evento na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

Estudo

Entre os principais pontos destacados pelo estudo está a necessidade de diversificar a matriz hídrica para reduzir os impactos da estiagem e do alto consumo de águas subterrâneas no abastecimento da capital do Amazonas. A estimativa é de que haja mais de 27 mil poços em operação na cidade, enquanto apenas 5 mil estão registrados pelos órgãos de controle.

De acordo com o estudo, a adesão à rede pública de abastecimento é uma alternativa para reduzir a dependência dos poços. Nesse contexto, a indústria tem um papel fundamental, uma vez que parte do setor ainda utiliza água de captação subterrânea para operar.

A pesquisa aponta que a adesão das indústrias ao sistema público de abastecimento tende a reduzir os custos fixos do sistema, viabilizando o subsídio cruzado que garante tarifas mais baixas às categorias residencial, social e vulnerável, com benefícios para a população em geral.

Trata Brasil

Para Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, o desafio da água está diretamente ligado ao planejamento. “Segurança hídrica se constrói com planejamento e mitigação de risco, e o caso de Manaus mostra isso com clareza. A cidade depende fortemente do Rio Negro, mas também recorre a poços que muitas vezes operam sem outorga e sem controle adequado. Investir hoje em reúso, uso racional e controlado dos poços, monitoramento e proteção de mananciais reduz riscos para a população e para as empresas. É assim que o país avança rumo à universalização do saneamento, com responsabilidade e visão integrada”, destaca.

O diretor-presidente da Águas de Manaus, concessionária que atua na capital, Pedro Freitas, entende que a região vive um momento decisivo para o evitar os riscos de desabastecimentos a médio prazo. Ele participou do debate sobre o estudo em São Paulo. “Estamos empenhados em mobilizar os mais diversos setores nesse tema porque sabemos que o saneamento é um desafio coletivo. Isso passa por ampliar a conscientização sobre a diversificação da matriz hídrica de Manaus, avançar no combate às perdas e preservar as nossas fontes naturais de água”, afirma.

Para ele, o papel da indústria é fundamental para ampliar a adesão ao serviço público de abastecimento e garantir a sustentabilidade do sistema. “Os setores públicos e privados, assim como a população, podem contribuir para ampliar o acesso à água com qualidade e segurança ao aderirem ao sistema. Este estudo demonstra, em especial, como a adesão do setor industrial à rede de abastecimento pode gerar uma cadeia de benefícios, incentivando outros segmentos a também se conectarem à rede e promovendo um uso mais sustentável dos recursos hídricos”, defende.

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