30/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Guerreiros Mura leva ancestralidade e inovação ao Festival de Cirandas de Manacapuru

Publicado em 30 de agosto, 2026

Guerreiros Mura leva ancestralidade e inovação ao Festival de Cirandas de Manacapuru

Agremiação apresentou “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apurica” na segunda noite do festival, no Parque do Ingá. (Fotos: Divulgação)

A Ciranda Guerreiros Mura levou ancestralidade, cores e inovação à arena do Parque do Ingá, em Manacapuru, na segunda noite do 28º Festival de Cirandas, realizada neste sábado (29). Com o tema “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apurica”, a agremiação apresentou uma narrativa inspirada na ancestralidade do povo Apurinã.

Na disputa pelo título, a Guerreiros Mura manteve elementos tradicionais da ciranda e apostou em novas construções coreográficas para desenvolver o enredo. O cordão de cirandeiros formou diferentes desenhos na arena, alternando movimentos inspirados em referências indígenas com passos de balé.

As alegorias acompanharam o desenvolvimento da narrativa, com movimentos, efeitos tecnológicos, acabamento detalhado e cores vibrantes. As estruturas modificaram o cenário ao longo do espetáculo e foram utilizadas para representar personagens e passagens do enredo.

O cordão de cirandeiros também acompanhou as mudanças da narrativa, integrando os brincantes à construção visual. A iluminação foi utilizada para destacar momentos específicos da apresentação.

O presidente da Guerreiros Mura, Renato Teles, destacou a responsabilidade de apresentar ao público o trabalho desenvolvido pela agremiação.

“Nós temos a responsabilidade hoje de fazer a festa para o visitante, fazer a festa para os torcedores da cidade e da Guerreiros Mura. Então, é uma emoção grande. Isso aqui, na verdade, é realmente uma prestação de contas. Nós estamos fazendo daquilo que nós recebemos do Estado, pelo qual nós agradecemos muito”, declarou.

Torcida acompanha espetáculo no Parque do Ingá

Nas arquibancadas, a Torcida Nação Guerreirense acompanhou as evoluções e incentivou os brincantes durante a apresentação.

Na arena, os cirandeiros mostraram o resultado de meses de preparação. Sheila Emanuely, que participa há dois anos do cordão, destacou a emoção de entrar no Parque do Ingá depois de seis meses de trabalho.

“É para representar um esforço, porque foi um esforço de seis meses. Cada um se esforça. Chegar aqui agora, estar aqui com a indumentária, é uma emoção muito grande, porque é um momento que a gente espera muito. A gente entrou, fez um show e saiu dessa arena campeã”, afirmou.

A noite também teve clima de despedida para Cristiane Matos, integrante da Guerreiros Mura há 23 anos. Antes de entrar na arena, ela falou sobre a relação construída com a ciranda ao longo de mais de duas décadas.

“Hoje é emoção acima de tudo. A expectativa de um grande festival e, ao mesmo tempo, a alegria de poder estar aqui mais uma vez vivendo esse momento, essa emoção grande e o amor que eu tenho pela Guerreiros Mura. São 23 anos, mas todo ano é como se fosse a primeira vez”, contou.

Cristiane disse que pretende encerrar sua trajetória no cordão de cirandeiros.

“Estou chorando, estou emocionada, porque ao mesmo tempo em que inteiro 23 anos no cordão, eu também pretendo me despedir. É algo que mexe muito comigo, porque a Guerreiros Mura é como uma segunda casa. Hoje, o meu choro é de alegria, amor e, acima de tudo, agradecimento por tudo”, afirmou.

Tradicional encerra Festival de Cirandas neste domingo

Depois da apresentação da Flor Matizada, na sexta-feira (28), e da Guerreiros Mura, no sábado, a Ciranda Tradicional encerra as apresentações do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru neste domingo (30).

A Tradicional levará ao Parque do Ingá o tema “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”, com uma abordagem sobre os impactos da destruição ambiental na Amazônia e a resistência dos povos que atuam na defesa da floresta.

Neste ano, a disputa pelo título ocorre entre Guerreiros Mura e Tradicional. A Flor Matizada decidiu não concorrer à premiação após a morte do artista plástico Jone Salgado, integrante da equipe responsável pela montagem das alegorias da agremiação.

A apuração das notas está prevista para esta segunda-feira (31).

O Festival de Cirandas reúne música, dança, artes cênicas e produção alegórica e mobiliza artistas, brincantes e outros profissionais envolvidos na preparação dos espetáculos. A festa integra o calendário cultural de Manacapuru e mantém uma das principais manifestações populares do município.

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