26/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Qualidade do ar piora em Manaus e zonas Leste e Sul registram níveis mais altos de poluição

Publicado em 26 de agosto, 2026

Qualidade do ar piora em Manaus e zonas Leste e Sul registram níveis mais altos de poluição

Treze estações de monitoramento registraram índices acima da faixa considerada boa nesta quarta-feira (26) (Foto: Hector Muniz/PMS)

Manaus amanheceu nesta quarta-feira (26) com aumento da concentração de partículas finas no ar. Os 13 pontos monitorados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) apresentaram índices acima da faixa considerada boa, com predominância da classificação moderada.

Os registros mais elevados foram identificados em bairros das zonas Leste e Sul. Coroado, Armando Mendes, Morro da Liberdade e áreas da Vila Buriti ultrapassaram 50 PM2,5, faixa correspondente à qualidade do ar ruim. O indicador mede a presença de partículas muito pequenas, que podem ser formadas por fumaça, fuligem e poeira.

Manaus já enfrentou episódios extremos de poluição por queimadas

A capital amazonense registrou episódios ainda mais severos de poluição atmosférica em anos anteriores. Em 11 de outubro de 2023, Manaus chegou a aparecer entre as cidades com pior qualidade do ar do mundo em rankings internacionais. Naquele período, diferentes bairros apresentaram níveis classificados como perigosos e muito insalubres, em meio à fumaça provocada pelas queimadas e à estiagem.

Em 27 de setembro de 2023, o monitoramento ambiental também apontou concentrações muito elevadas de PM2,5 em diferentes áreas da capital. Já em 10 e 11 de agosto de 2024, bairros de Manaus registraram novamente condições classificadas como ruins, muito ruins e péssimas, em um período de forte presença de fumaça.

Estudos sobre a qualidade do ar na região metropolitana mostram que a concentração de PM2,5 tende a aumentar durante a estação seca, acompanhando o crescimento dos focos de queimadas. Uma análise dos dados de 2019 a 2022 identificou os maiores níveis entre agosto e novembro, período em que os incêndios são mais frequentes na região.

Agosto a novembro concentram os maiores níveis de partículas

O comportamento anual da qualidade do ar em Manaus apresenta relação com o período de estiagem e com a ocorrência de queimadas. De acordo com estudos sobre a região, os meses de agosto, setembro, outubro e novembro concentram as maiores concentrações de PM2,5, enquanto os menores níveis costumam ocorrer entre dezembro e julho.

Em 2024, uma pesquisa sobre os impactos das queimadas identificou agosto e setembro como período crítico para o aumento de poluentes atmosféricos. O cenário esteve relacionado à intensidade dos incêndios na Amazônia e às condições meteorológicas que favoreceram a dispersão da fumaça para áreas urbanas.

El Niño pode intensificar período seco na Amazônia

O El Niño é um fenômeno climático que pode alterar o regime de chuvas na Amazônia e contribuir para períodos mais secos e quentes. Em anos de ocorrência do fenômeno, a redução das precipitações e o aumento das temperaturas podem favorecer condições para maior propagação de queimadas e permanência de partículas na atmosfera.

O episódio de 2023 é um dos exemplos recentes. Naquele ano, a combinação entre seca severa, calor e grande quantidade de queimadas contribuiu para episódios de fumaça intensa em Manaus, com registros extremos de poluição atmosférica durante setembro e outubro.

Tags: Manaus, qualidade do ar, poluição, PM2,5, queimadas, fumaça, Amazonas, Selva, estiagem, El Niño, meio ambiente

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