
Divulgação
Décadas depois de Chico Mendes tornar conhecida internacionalmente a luta dos povos da floresta pela conservação da Amazônia, esse legado continua sendo construído por mulheres, jovens e comunidades que defendem seus territórios e modos de vida. É nesse contexto que surge “As Aventuras de Letícia”, uma história em quadrinhos inspirada na trajetória de Letícia Santiago de Moraes, atual vice-presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS).
O livro pode ser baixado gratuitamente no site: https://campanhas.amazoniadepe.org.br/forms/faca-o-download-gratuito-da-revista-aventuras-de-leticia/.
A publicação é uma iniciativa do Movimento Amazônia de Pé em parceria com o CNS e transforma memória, identidade territorial e mobilização socioambiental em uma narrativa acessível para crianças e jovens. A proposta é apresentar, de forma lúdica e envolvente, a história do movimento extrativista, suas principais referências e os desafios enfrentados pelas comunidades que vivem e protegem a floresta.
Com aproximadamente 30 páginas, o texto mostra uma jovem extrativista que conhece a trajetória de luta de diferentes gerações e, diante dos desafios de seu território, decide superar inseguranças e assumir também seu papel na defesa da região amazônica.
A narrativa mistura realidade e ficção e apresenta personagens e referências que fazem parte da história da luta socioambiental brasileira, como Chico Mendes, a missionária Dorothy Stang e a quebradeira de coco babaçu Dona Raimunda, liderança feminina que inspirou outras mulheres do movimento.
A publicação também apresenta elementos da cultura e da organização dos povos da floresta, como a poranga (luminária utilizada pelos seringueiros) e o “porangaço” (mobilização dos povos tradicionais), além de abordar temas como ambientalismo, grilagem, mudanças climáticas, defesa dos territórios e justiça climática.
A personagem que inspira a obra é Letícia Santiago de Moraes, liderança feminina nascida e criada no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Ilha São João I, na comunidade Nossa Senhora da Boa Esperança, no Rio Pagão, no município de Curralinho, no arquipélago do Marajó, no Pará.
Filha de lideranças extrativistas da região, Letícia cresceu acompanhando a organização e as lutas das comunidades e, ainda jovem, assumiu o compromisso de atuar em defesa dos direitos das pessoas que vivem nas florestas e águas. É graduada em Etnodesenvolvimento e mestre em Agriculturas Amazônicas e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
Sua trajetória profissional começou em 2017, no Memorial Chico Mendes (MCM), onde coordenou a implementação do projeto SANEAR Amazônia em municípios como Oeiras do Pará, São Sebastião de Boa Vista e Curralinho. Em 2019, passou a atuar no Conselho Nacional das Populações Extrativistas, assumindo diferentes funções na organização.
Até o final de 2022, exerceu a função de secretária nacional de Articulação Política de Juventude Extrativista, atuando na mobilização e na incidência política das juventudes dos campos, das águas e das florestas. Entre os momentos de destaque desse período está a coordenação do II Encontro Nacional da Juventude Extrativista, realizado no Amapá, em 2022, com foco na garantia de direitos e na permanência dos jovens em seus territórios.
Desde 2023, Letícia atua na coordenação de Justiça Climática e ocupa a vice-presidência do CNS, participando de debates nacionais e internacionais sobre direitos das populações da floresta, políticas públicas, justiça climática e defesa dos territórios coletivos amazônicos.
“Ver uma história inspirada na minha trajetória e, ao mesmo tempo, conectada à história de tantas mulheres, jovens e lideranças é muito especial. Eu cresci ouvindo e vivendo essas histórias, entendendo que defender a floresta também é defender a nossa própria vida. Chico Mendes deixou um legado que continua inspirando novas gerações, e acredito que essa obra vai ajudar a mostrar que essa luta continua sendo construída todos os dias por quem vive na floresta e acredita que é possível garantir justiça climática e manter a floresta viva. Afinal, o fim da floresta é o fim das nossas vidas, como enaltecemos em nossas mobilizações”, declara Letícia Moraes.
A HQ “As Aventuras de Letícia” tem o objetivo de estimular crianças e jovens a reconhecerem as pessoas que fazem parte da história de seus próprios territórios. A proposta é ampliar a compreensão sobre quem são as heroínas e os heróis da floresta: mulheres, homens, jovens e lideranças comunitárias que atuam diariamente na proteção dos territórios, na organização social e na melhoria da qualidade de vida das populações extrativistas.
O projeto será desenvolvido especialmente em escolas localizadas em Reservas Extrativistas e Projetos de Assentamento Extrativista, utilizando a educação socioambiental como ferramenta para fortalecer o sentimento de pertencimento, a identidade territorial e o protagonismo das novas gerações.
O texto de “As Aventuras de Letícia” transforma memória e luta em instrumento educativo ao conectar passado, presente e futuro. Ao apresentar às crianças referências que fazem parte de seus próprios territórios, a iniciativa busca contribuir para que elas reconheçam o valor de suas origens e compreendam que também são parte da continuidade dessa história de resistência, cuidado e defesa da Amazônia.
A publicação integra também uma estratégia de educação socioambiental e climática, valorização da identidade territorial e fortalecimento da memória das populações tradicionais extrativistas.
Veja mais notícias em Geral