
Popularização da IA acende alerta sobre exposição de dados no serviço público
Até onde é seguro utilizar ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no serviço público, onde profissionais lidam diariamente com informações pessoais de cidadãos? A pergunta ganha relevância à medida que essas tecnologias passam a fazer parte da rotina de trabalho. O tema será um dos assuntos discutidos no 2º Encontro da Rede Amazonense de Proteção de Dados (RAPD), que será realizado nesta quinta-feira (27/8), em Manaus.
Com o tema “Inteligência Artificial e Sociedade: Controle, Comportamento e Confiança”, o evento reunirá especialistas e representantes de instituições públicas para discutir como utilizar essas tecnologias de maneira ética.
“Quando você usa a inteligência artificial, você precisa entender os parâmetros que ela utiliza. Temos poucas garantias de quanto tempo e qual a finalidade do uso das informações armazenadas nessas plataformas”, afirmou o presidente da RAPD e encarregado de Dados da Defensoria Pública do Amazonas, Rudson Nunes.
Segundo ele, o tema precisa ser discutido abertamente pela sociedade para evitar o uso inadequado de informações pessoais dos cidadãos. Algumas plataformas oferecem configurações que podem contribuir para a proteção dos dados, mas é necessário que os usuários conheçam essas ferramentas e compreendam como as informações são tratadas.
“Os cidadãos precisam saber como seus dados estão sendo tratados, e os servidores públicos precisam ser orientados para realizar o tratamento adequado dessas informações”, afirma.
Rudson Nunes acrescenta ainda que compreender os riscos não significa deixar de utilizar a tecnologia, mas conhecer os mecanismos disponíveis para reduzir a exposição de informações.
“O que queremos neste evento é mostrar o uso responsável da Inteligência Artificial, o que não significa que as pessoas não devam utilizar a tecnologia”, explica.
Durante o encontro, especialistas vão discutir temas que ajudam a compreender diferentes dimensões do uso da Inteligência Artificial. Entre eles estão o uso de dados na internet, deepfakes e clones de voz e vídeo, identidade digital, algoritmos preditivos, discriminação algorítmica e os limites das decisões automatizadas.
A programação é montada pela RAPD, que é composta por instituições como Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), Ministério Público do Amazonas (MPAM), Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), Controladoria-Geral do Estado (CGE-AM), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Procuradoria-Geral do Estado (PGE-AM), Prefeitura de Manaus, OAB-AM, Prodam, entre outras.
Atualmente, a presidência da Rede está sob responsabilidade da Defensoria Pública do Amazonas.
A iniciativa inclui palestra sobre a perspectiva institucional e regulatória da IA e três painéis temáticos. O evento será realizado das 15h às 19h15, no auditório do Centro Administrativo Des. José de Jesus Ferreira Lopes, anexo à sede do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), na Avenida André Araújo, bairro Aleixo.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link http://bit.ly/