20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Audiência reúne testemunhas de processo sobre naufrágio que matou três pessoas no Amazonas

Publicado em 20 de agosto, 2026

Audiência reúne testemunhas de processo sobre naufrágio que matou três pessoas no Amazonas

Comandante da embarcação é acusado pelo Ministério Público de homicídio qualificado; juiz decidirá se caso seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri. (Foto: Reprodução)

Manaus – A Justiça do Amazonas iniciou, na manhã desta quinta-feira (20), a audiência de instrução do processo que apura o naufrágio da lancha Lima Abreu XV, ocorrido em fevereiro deste ano nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus. O acidente deixou três pessoas mortas e outras desaparecidas.

A audiência ocorre no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis e reúne testemunhas indicadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) e pela defesa do réu, Pedro José da Silva Gama, apontado como comandante da embarcação.

Ao todo, dez testemunhas devem prestar depoimento. Duas delas são menores de idade e serão ouvidas por meio do procedimento especial previsto na Lei da Escuta Protegida.

Após a conclusão dos depoimentos, o acusado será interrogado. Na sequência, acusação e defesa terão prazo para apresentar as alegações finais.

Com o encerramento dessa etapa, caberá ao juiz Fábio Lopes Alfaia analisar se há elementos suficientes para que Pedro José seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Acusação do Ministério Público

O MPAM denunciou Pedro José da Silva Gama pelo naufrágio ocorrido em 13 de fevereiro deste ano. De acordo com a denúncia, a embarcação deixou o Porto da Manaus Moderna por volta das 12h30, com destino a Nova Olinda do Norte.

O acidente resultou na morte de três passageiros, sendo duas mulheres e um homem. Também houve pessoas desaparecidas após o naufrágio.

Conforme a denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Thiago de Melo Roberto Freire, sobreviventes relataram que o comandante conduzia a embarcação em alta velocidade e teria participado de uma disputa com outro barco, em uma espécie de corrida.

Ainda segundo o documento, as condições de navegação eram adversas e passageiros teriam pedido ao comandante que reduzisse a velocidade. Mesmo assim, conforme a acusação, ele teria mantido a condução em ritmo elevado.

Ao chegar à região do Encontro das Águas, a lancha teria sido atingida por uma sequência de ondas. A força da água provocou uma entrada intensa pela parte dianteira da embarcação e desencadeou pânico entre os passageiros.

O naufrágio ocorreu em poucos minutos. A acusação também aponta que a quantidade de coletes salva-vidas disponíveis seria insuficiente para atender todos os ocupantes.

Dolo eventual

Para o Ministério Público, o comandante teria agido com dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de produzir um resultado que pode ser fatal.

A denúncia sustenta que Pedro José tinha conhecimento dos riscos envolvidos na condução da embarcação, mas teria ignorado as condições de navegação e os pedidos feitos pelos passageiros para diminuir a velocidade.

O MPAM atribui ao réu três homicídios qualificados, com base no artigo 121 do Código Penal. A acusação aponta como qualificadoras o motivo fútil, o perigo comum e o uso de recurso que teria dificultado a defesa das vítimas.

A audiência de instrução será utilizada pela Justiça para reunir os depoimentos e demais elementos necessários à análise do caso antes da decisão sobre um eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.