
TJAM leva exposição sobre prevenção à violência contra a mulher a comunidade ribeirinha de Manicoré
A Equipe Multidisciplinar do 1.º e 4.º Juizados Maria da Penha do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), em parceria com o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), levou atividades e a exposição “Não Vista Esta Camisa” para a Escola Municipal Emiliano Ferreira Lopes, localizada na Comunidade de Nazaré, Polo do Capanazinho, no município de Manicoré (AM).
O evento, realizado na segunda-feira (17.8), contou com a participação de 44 estudantes do ensino fundamental, além do corpo docente da escola, e integra as atividades da 33.ª Semana da Justiça pela Paz em Casa, que ocorre de 17 a 21 de agosto, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com os tribunais estaduais. O esforço concentrado marca os 20 anos da Lei Maria da Penha.
A parceria com o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família, com ênfase nas populações do campo, da floresta e das águas, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), integra as ações do Programa Saúde na Escola (PSE).
“Mais do que apresentar uma exposição, a ação busca aproximar saúde, educação e justiça do território, mostrando que a prevenção da violência contra a mulher também precisa chegar às comunidades mais distantes dos grandes centros. Levar essa discussão para dentro da escola é também investir na formação de uma sociedade que reconheça a violência, não a naturalize e saiba que ela precisa ser enfrentada”, afirmou a assistente social Celi Nunes, que atua nos 1.º e 4.º Juizados Maria da Penha.
A exposição “Não Vista Esta Camisa” apresenta frases e situações presentes no cotidiano que, muitas vezes, são naturalizadas ou reproduzidas socialmente, contribuindo para a invisibilização de diferentes formas de violência contra a mulher. Levar essa discussão para o ambiente escolar possibilita trabalhar a prevenção desde cedo, estimulando crianças e adolescentes a reconhecer comportamentos violentos, questionar padrões naturalizados e construir relações baseadas no respeito.
O projeto é uma iniciativa da equipe Multidisciplinar do 1.º e 4.º Juizados Maria da Penha, a partir da vivência profissional diária com os casos. “Anos depois, retornar com a exposição a um território ribeirinho, agora como profissional, representa uma importante oportunidade de levar informação e promover a reflexão sobre a violência contra a mulher para comunidades que, muitas vezes, enfrentam dificuldades de acesso a serviços, políticas públicas e informações”, analisou Julian Nascimento, residente e assistente social, que participou da criação da exposição durante seu período de estágio no TJAM.
Ainda segundo o assistente social, as populações do campo, da floresta e das águas convivem com diversas barreiras sociais e territoriais, como o distanciamento geográfico, os períodos de seca, a dificuldade de acesso aos serviços públicos e a escassez de informações. Nesse contexto, ações de educação em saúde tornam-se fundamentais para fortalecer o acesso ao conhecimento e contribuir para a prevenção das violências.
Durante a semana, a exposição também seguirá circulando pelo território, integrando a programação da multiação de saúde da Unidade de Saúde Fluvial, que estará na comunidade ribeirinha de Urumatuba, no dia 20 de agosto. No dia 21 de agosto, a exposição estará no Centro Cultural do Capanazinho, na Comunidade de Nazaré, onde, durante a noite, será realizada uma roda de conversa com as mulheres da comunidade. O momento será dedicado ao diálogo, à troca de experiências e à reflexão sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher, os direitos assegurados pela Lei Maria da Penha e a importância de romper com a naturalização de comportamentos violentos.
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