13/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Arthur Virgílio propõe superar polarização e pensar o Brasil grande

Publicado em 12 de agosto, 2026

Arthur Virgílio propõe superar polarização e pensar o Brasil grande

Arthur Virgílio Neto, ex-senador e candidato a deputado federal, defende projeto nacional de longo prazo, diálogo entre diferentes e uma agenda que coloque a Amazônia no centro do desenvolvimento. Fotos: Divulgação

Em um Brasil marcado por disputas políticas cada vez mais acirradas, o ex-senador e ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto defende que o país recupere a capacidade de dialogar, divergir e construir um projeto de futuro acima das disputas eleitorais. Ele está de volta à política, como candidato a deputado federal, pelo MDB.

Para Arthur, a polarização não pode continuar como principal eixo da política brasileira. O País, segundo ele, é maior e mais complexo do que a divisão entre dois lados.

“O Brasil é um país múltiplo, um grande país cultural. Somos diferentes na maneira de pensar, de viver e de enxergar o mundo. Essa diversidade deveria nos fortalecer. O que não podemos aceitar é transformar a diferença em ódio e a política em uma guerra permanente”, afirma.

O ex-senador sustenta que posições diferentes são parte essencial da democracia. Para ele, um parlamentar não deve ter receio de defender suas convicções, mesmo quando contrariem a maioria.

“Não é errado se posicionar. Não é errado pensar diferente. O que é errado é achar que quem pensa diferente é inimigo. A democracia precisa de debate, de oposição, de governo e de gente com coragem para defender aquilo em que acredita”, afirma.

“Combater o governo não é combater o país”

A defesa de uma política capaz de separar divergência de intolerância acompanha a trajetória de Arthur Virgílio.

Em 2003, quando era senador e fazia oposição ao governo federal, Arthur estabeleceu uma distinção que considera fundamental: “Combater o governo não é combater o país”.

Naquele período, também defendeu entendimento político para aprovar uma reforma tributária que incluía a prorrogação dos benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus.

Mais de uma década depois, já como prefeito, Arthur voltou a defender união em torno de objetivos nacionais. Em 2016, diante da crise econômica, propôs um pacto nacional.

Na ocasião, afirmou ser necessário colocar convicções partidárias em segundo plano para construir uma agenda positiva para o Brasil.

A mesma postura esteve presente na administração de Manaus. Arthur defendeu que diferenças partidárias não poderiam impedir a cidade de buscar recursos e parcerias com os governos estadual e federal.

“Não dá para governar Manaus sem parcerias. Não se pode jogar o partidarismo na frente do interesse da população”, afirmou durante sua gestão.

Para Arthur, essa experiência demonstra que a política pode ser firme sem ser sectária.

Um projeto de Brasil para as próximas décadas

Na avaliação do ex-prefeito, um dos principais desafios brasileiros é deixar de pensar apenas na próxima eleição. O país, afirma, precisa discutir o que pretende entregar às próximas gerações.

“Está faltando projeto de Brasil. Precisamos discutir que país queremos daqui a 10, 20, 30 anos. Um país que tenha educação de qualidade, saúde, segurança, emprego, desenvolvimento tecnológico, indústria forte, responsabilidade fiscal e, ao mesmo tempo, capacidade de preservar e transformar a Amazônia em uma grande oportunidade para o Brasil”, afirma.

Arthur defende que essa agenda inclua a Amazônia entre as prioridades estratégicas nacionais.

Para ele, não é possível discutir o futuro do país sem abordar a região amazônica, a Zona Franca de Manaus e os milhões de brasileiros que vivem na região.

“O Brasil precisa parar de olhar para a Amazônia apenas como um problema ambiental. A Amazônia é parte da solução brasileira. Precisamos proteger a floresta, mas também gerar riqueza, emprego, conhecimento e qualidade de vida para quem vive aqui”, ressalta.

FHC e o respeito a quem pensa diferente

Ao falar sobre maturidade política, Arthur cita o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como uma de suas referências na vida pública.

Para ele, FHC representa uma geração em que era possível manter divergências profundas sem transformar o adversário em inimigo.

“Fernando Henrique foi um presidente brilhante. É possível discordar de decisões de um governo e, ao mesmo tempo, reconhecer suas qualidades. Isso não diminui ninguém. Ao contrário, demonstra maturidade política”, afirma.

Arthur considera que a política brasileira precisa recuperar justamente essa capacidade de reconhecer méritos mesmo diante de divergências.

O futuro exige diálogo e coragem

Para Arthur Virgílio, os desafios do Brasil não poderão ser resolvidos por um único partido ou campo ideológico.

“O futuro vai exigir mais diálogo, mais preparo e menos intolerância. Nenhum lado sozinho vai resolver os problemas do Brasil. Precisamos juntar quem tem boas ideias, independentemente de onde esteja, e construir um caminho comum”, afirma.

Segundo ele, o país precisa voltar a discutir grandes objetivos nacionais. Entre eles estão educação, saúde, segurança, desenvolvimento econômico, equilíbrio fiscal, inovação e fortalecimento da indústria.

Arthur inclui ainda a defesa da Zona Franca de Manaus e uma nova política para a Amazônia entre os temas estratégicos.

“Eu quero acreditar em um Brasil que volte a pensar grande. O Brasil não pode ficar condenado a escolher quem é contra quem. Precisamos começar a escolher a favor de quê. A favor do desenvolvimento, da democracia, da Amazônia, da liberdade, do emprego e de um futuro melhor para nossos filhos e netos”, conclui.

 

Tags: Arthur Virgílio, Brasil, polarização política, Amazônia, Zona Franca de Manaus, democracia, Fernando Henrique Cardoso

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