12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

El Niño deve amenizar inverno no Brasil e reduzir períodos de frio intenso

Publicado em 21 de junho, 2026

Fenômeno climático deve influenciar temperaturas, chuvas e até o sistema elétrico nos próximos meses. (Foto: Reprodução)

O inverno no Hemisfério Sul começa oficialmente às 5h25 deste domingo (21), mas em 2026 a estação deve apresentar características diferentes das habituais no Brasil. A atuação do fenômeno El Niño deve tornar os próximos meses menos rigorosos em relação ao frio, com temperaturas mais amenas em boa parte do país.

A projeção é da consultoria meteorológica Nottus, que divulgou um estudo sobre os impactos do fenômeno climático no território brasileiro. O National Oceanic and Atmospheric Administration, órgão dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento oceânico e atmosférico, confirmou recentemente o início do fenômeno.

El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas da região equatorial do Oceano Pacífico, alterando padrões climáticos em diversas partes do planeta. No Brasil, a tendência é de aumento das chuvas na Região Sul, enquanto Norte e Nordeste devem enfrentar precipitações mais escassas, elevando o risco de estiagem.

Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, o inverno ainda terá episódios de frio, principalmente no início da estação, mas com duração menor.

Apesar da chegada de massas de ar frio, os efeitos do fenômeno devem impedir quedas prolongadas de temperatura, especialmente a partir de agosto. Com períodos mais secos e ventos vindos do Norte, a tendência é de elevação gradual das temperaturas na segunda metade do inverno.

O estudo também aponta possibilidade de veranicos em áreas da região central do país, com dias de calor fora do padrão durante o inverno.

Em relação às chuvas, julho deve registrar volumes acima da média em áreas do Sudeste e Centro-Oeste. Em agosto, as precipitações devem se concentrar no extremo Norte, em parte do Nordeste e no Sul. Já em setembro, o destaque fica para o aumento das chuvas na Região Sul, enquanto áreas do Nordeste podem enfrentar índices abaixo da média histórica.

A consultoria também alerta para a possibilidade de fortalecimento do fenômeno entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, cenário que pode configurar um “Super El Niño”, com impactos mais severos no clima.

Além dos efeitos meteorológicos, o fenômeno também pode influenciar o setor energético brasileiro. Como grande parte da matriz elétrica do país depende de hidrelétricas, alterações no regime de chuvas podem afetar diretamente os reservatórios.

A avaliação inicial é de que 2026 pode ser favorável ao sistema elétrico devido ao aumento das chuvas em regiões estratégicas. No entanto, para 2027, especialistas apontam preocupação com possível aumento no consumo de energia por causa de ondas de calor e redução das chuvas em regiões como Norte e Nordeste.

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