06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Unesco aponta 273 milhões de crianças fora da escola e alerta para retrocesso global na educação

Publicado em 26 de março, 2026

Atraso escolar entre crianças de 6 a 10 anos ainda supera nível pré-pandemia

Relatório indica aumento contínuo da exclusão escolar e desafios para atingir metas até 2030. (Foto: Marcelo Camargo/ABR)

A UNESCO divulgou nesta quarta-feira (25) o Relatório de Monitoramento Global da Educação (GEM) 2026, que revela um cenário preocupante: cerca de 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estavam fora da escola em 2024.

Após uma queda significativa entre 2000 e 2015, a exclusão escolar voltou a crescer e já soma sete anos consecutivos de alta, com aumento de 3% desde 2015. Atualmente, uma em cada seis pessoas em idade escolar no mundo não tem acesso à educação formal, enquanto apenas dois terços dos jovens conseguem concluir o ensino secundário.

Entre os principais fatores apontados pelo relatório estão o crescimento populacional, crises globais e a redução de investimentos na área educacional. A Unesco também alerta que os dados podem estar subestimados em pelo menos 13 milhões de estudantes, especialmente em países afetados por conflitos.

O estudo inaugura a série “Contagem Regressiva para 2030”, que vai avaliar, nos próximos anos, aspectos como acesso, qualidade e relevância da educação em relação às metas globais.

Apesar do cenário de alerta, o documento mostra avanços importantes. Em 2024, o mundo registrou 1,4 bilhão de estudantes matriculados, um crescimento de 30% no ensino primário e secundário desde 2000. Houve também expansão na educação infantil (45%) e no ensino superior (161%), o que representa mais de 25 novas matrículas por minuto.

Exemplos de progresso incluem países como Etiópia e China, que ampliaram significativamente o acesso à educação nas últimas décadas. Ainda assim, persistem desafios, como a baixa cobertura da educação pré-primária: embora 75% das crianças de 5 anos estejam matriculadas, apenas 60% passaram por essa etapa antes do ensino fundamental.

O relatório também aponta desaceleração na permanência escolar desde 2015, especialmente na África Subsaariana, impactada por crescimento populacional e crises. No Oriente Médio, conflitos recentes também têm interrompido o acesso à educação.

Por outro lado, alguns países conseguiram reduzir de forma expressiva as taxas de evasão escolar desde 2000, como Madagascar, Togo, Marrocos e Vietnã, além de avanços em indicadores de conclusão em países como México, Iraque e Serra Leoa.

Globalmente, mais estudantes têm concluído os ciclos educacionais. A taxa de conclusão do ensino primário subiu de 77% para 88% desde 2000, enquanto o ensino médio passou de 37% para 61%. Ainda assim, no ritmo atual, a universalização do ensino médio só deve ser alcançada em 2105.

A redução da repetência também foi observada, embora ainda seja comum em países de baixa renda, onde muitos alunos entram tardiamente na escola e concluem os estudos com atraso.

O relatório destaca ainda avanços na equidade de gênero e na educação inclusiva, com aumento no número de países que adotam legislações voltadas à inclusão de estudantes com deficiência.

Em relação ao financiamento, houve ampliação de mecanismos de apoio a estudantes em situação de vulnerabilidade, como transferências diretas, programas de merenda e subsídios para transporte e materiais.

Diante do prazo da Agenda 2030, a Unesco reforça a necessidade de melhorar o uso de dados, fortalecer o planejamento educacional e garantir políticas públicas mais eficientes e equitativas. O objetivo central é cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4, que prevê educação gratuita, inclusiva e de qualidade para todos até 2030.

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