14/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Super El Niño se confirma no Pacífico com todos os critérios da NOAA atendidos

Publicado em 14 de setembro, 2026

Super El Niño se confirma no Pacífico com todos os critérios da NOAA atendidos

O Oceano Pacífico Equatorial atingiu, pela primeira vez neste episódio, a classificação de Super El Niño em todos os indicadores monitorados pela agência de clima e oceanos dos Estados Unidos, a NOAA. A informação consta do boletim semanal divulgado nesta segunda-feira pelo órgão americano.

Segundo os dados, a anomalia de temperatura na superfície do mar na região Niño 3.4 — área do Pacífico Central usada como referência oficial para caracterizar o fenômeno — está em +2,9°C pelo tradicional Índice Oceânico Niño (ONI), patamar que corresponde a um El Niño muito forte, próximo da faixa de intenso. Valores iguais ou superiores a +2°C já são suficientes para classificar o episódio como Super El Niño.

A novidade deste ano é que a NOAA passou a divulgar também um segundo indicador, o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que ajusta o cálculo considerando o aquecimento de longo prazo dos oceanos tropicais. Esse índice, no boletim mais recente, marcou +2,0°C — também dentro da faixa de El Niño muito forte. É a primeira vez, no episódio 2026-2027, que os dois indicadores da NOAA apontam simultaneamente para a categoria de Super El Niño.

Um dos eventos mais precoces da história recente

Levantamentos baseados nos boletins semanais da NOAA mostram que o atual episódio se aproxima dos mais intensos já registrados. O recorde histórico pelo índice ONI segue sendo o Super El Niño de 2015-2016, que chegou a uma anomalia de 3,0°C em novembro de 2015, seguido do evento de 1982-1983, com 2,6°C.

O que chama atenção em 2026 é a velocidade com que o fenômeno atingiu essa intensidade. A anomalia de +2°C pelo ONI já havia sido registrada em julho — um ritmo mais acelerado do que em qualquer Super El Niño anterior. Para efeito de comparação, o evento de 1982-1983 só chegou a esse patamar em novembro; o de 1997-1998, em setembro; e o de 2015-2016, apenas em meados de setembro.

Previsão aponta para pico ainda mais forte no fim do ano

Modelos climáticos indicam que a intensidade máxima do fenômeno deve ocorrer entre novembro e dezembro. As projeções médias apontam para uma anomalia próxima de +4°C na região Niño 3.4 no auge do episódio — um valor que, se confirmado, superaria com folga todos os Super El Niños registrados desde que existem medições, marca de referência havia mais de 170 anos.

Intensidade não garante impactos proporcionais

Especialistas ressaltam que a força de um El Niño não se traduz automaticamente em efeitos climáticos de mesma magnitude em todas as regiões. Fatores como a posição das águas mais aquecidas, a circulação atmosférica e a interação com outros padrões climáticos globais fazem cada episódio ter uma “assinatura” própria. Um exemplo citado é a comparação entre o evento atual e o de 2023: apesar de mais intenso, o El Niño de 2026 trouxe, até agora, menos chuva ao Rio Grande do Sul do que o episódio anterior, enquanto em São Paulo tem provocado excesso de chuvas e enchentes — diferente do quadro de forte calor observado em 2023.

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