
Super El Niño se confirma no Pacífico com todos os critérios da NOAA atendidos
O Oceano Pacífico Equatorial atingiu, pela primeira vez neste episódio, a classificação de Super El Niño em todos os indicadores monitorados pela agência de clima e oceanos dos Estados Unidos, a NOAA. A informação consta do boletim semanal divulgado nesta segunda-feira pelo órgão americano.
Segundo os dados, a anomalia de temperatura na superfície do mar na região Niño 3.4 — área do Pacífico Central usada como referência oficial para caracterizar o fenômeno — está em +2,9°C pelo tradicional Índice Oceânico Niño (ONI), patamar que corresponde a um El Niño muito forte, próximo da faixa de intenso. Valores iguais ou superiores a +2°C já são suficientes para classificar o episódio como Super El Niño.
A novidade deste ano é que a NOAA passou a divulgar também um segundo indicador, o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que ajusta o cálculo considerando o aquecimento de longo prazo dos oceanos tropicais. Esse índice, no boletim mais recente, marcou +2,0°C — também dentro da faixa de El Niño muito forte. É a primeira vez, no episódio 2026-2027, que os dois indicadores da NOAA apontam simultaneamente para a categoria de Super El Niño.
Levantamentos baseados nos boletins semanais da NOAA mostram que o atual episódio se aproxima dos mais intensos já registrados. O recorde histórico pelo índice ONI segue sendo o Super El Niño de 2015-2016, que chegou a uma anomalia de 3,0°C em novembro de 2015, seguido do evento de 1982-1983, com 2,6°C.
O que chama atenção em 2026 é a velocidade com que o fenômeno atingiu essa intensidade. A anomalia de +2°C pelo ONI já havia sido registrada em julho — um ritmo mais acelerado do que em qualquer Super El Niño anterior. Para efeito de comparação, o evento de 1982-1983 só chegou a esse patamar em novembro; o de 1997-1998, em setembro; e o de 2015-2016, apenas em meados de setembro.
Modelos climáticos indicam que a intensidade máxima do fenômeno deve ocorrer entre novembro e dezembro. As projeções médias apontam para uma anomalia próxima de +4°C na região Niño 3.4 no auge do episódio — um valor que, se confirmado, superaria com folga todos os Super El Niños registrados desde que existem medições, marca de referência havia mais de 170 anos.
Especialistas ressaltam que a força de um El Niño não se traduz automaticamente em efeitos climáticos de mesma magnitude em todas as regiões. Fatores como a posição das águas mais aquecidas, a circulação atmosférica e a interação com outros padrões climáticos globais fazem cada episódio ter uma “assinatura” própria. Um exemplo citado é a comparação entre o evento atual e o de 2023: apesar de mais intenso, o El Niño de 2026 trouxe, até agora, menos chuva ao Rio Grande do Sul do que o episódio anterior, enquanto em São Paulo tem provocado excesso de chuvas e enchentes — diferente do quadro de forte calor observado em 2023.
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