25/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Exposição ‘Judeus na Amazônia’ chega a Manaus com mais de 200 obras e documentos

Publicado em 25 de agosto, 2026

Foto: Bruno Sena

A exposição “Judeus na Amazônia”, do Museu Judaico de São Paulo (MUJ), chega a Manaus neste sábado (29/8), depois de sua temporada em São Paulo. A mostra reúne mais de 200 obras de arte, vídeos, documentos históricos e fotografias para contar uma história iniciada há mais de dois séculos, com a chegada de imigrantes judeus, principalmente marroquinos, à região.

A visitação será gratuita no Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (ICBEU), no Centro de Manaus, até 6 de dezembro.

Maior exposição realizada pelo Museu Judaico desde sua inauguração, em 2021, “Judeus na Amazônia” resulta de dois anos de pesquisa. A investigação ultrapassou Manaus e Belém e alcançou cidades como Parintins, Gurupá, Cametá e Breves, além da Ilha do Marajó.

Pesquisadores percorreram arquivos, sinagogas e antigos cemitérios. Segundo o levantamento que fundamentou a exposição, mais de 50 cemitérios judaicos teriam existido na Amazônia.

A mostra aborda a chegada dos primeiros imigrantes a partir do início do século XIX e as relações estabelecidas com as populações amazônicas. Comércio, navegação, vida familiar, religiosidade, culinária, participação das mulheres e questões ambientais aparecem entre os temas.

“A intenção foi abarcar todo o contexto histórico e documental e, ao mesmo tempo, trazer cor e sabor para a exposição”, explica a curadora Mariana Lorenzi.

A curadoria é compartilhada por Lorenzi, Aldrin Figueiredo, Ilana Feldman e Renato Athias. A versão apresentada em Manaus tem recorte desenvolvido por Mariana Lorenzi.

De Benchimol aos regatões

A exposição está organizada em 12 núcleos: Cronologia; Samuel Benchimol; Vida pública; Cotidiano; Judeu Caboclo; Embarcações; Famílias; Sociedades; Necrópole verde; Floresta de pé; Comércio dos regatões; e Mulheres.

Um dos personagens centrais é o economista, professor e escritor Samuel Benchimol (1923-2002), um dos principais estudiosos da presença judaica na Amazônia. A pesquisa também passa pelo ciclo da borracha, período fundamental para compreender os movimentos migratórios e a expansão das comunidades pela região.

Foto: Bruno Sena

A navegação e o comércio dos regatões ajudam a explicar como famílias judaicas se estabeleceram em diferentes pontos da Amazônia e participaram das redes comerciais que ligavam cidades e comunidades ribeirinhas.

O intercâmbio produziu uma experiência cultural particular, na qual costumes judaicos conviveram com hábitos, alimentos, linguagens e modos de vida amazônicos.

Objetos de Manaus voltam à cidade

Entre os destaques estão objetos históricos relacionados à comunidade judaica de Manaus que voltam a ser exibidos na capital no contexto da exposição.

O conjunto inclui uma ketubá, contrato tradicional de casamento judaico, de 1946; um livro de rezas pertencente à Coleção Biblioteca Samuel Benchimol; uma chanukiá do século XX; e um tass, ornamento utilizado na Torá, feito em prata e datado de 1952.

A exposição também apresenta reproduções de trabalhos produzidos especialmente para o projeto. O coletivo paraense Letras que Flutuam trabalha com a tradição dos abridores de letras responsáveis pela tipografia característica das embarcações amazônicas.

Foto: Bruno Sena

O artista Diego Azevedo, por sua vez, partiu de fotografias históricas para retratar Sultana Levy (1910-2007), apontada como a primeira romancista modernista do Pará, e Feliz Benoliel, jornalista e militante feminista.

A videoartista Janaina Wagner apresenta um filme em Super 8 com registros de pedras de rio contendo inscrições de povos originários. A obra é acompanhada por texto da escritora Marguerite Duras traduzido para o ladino e a haquitia, línguas historicamente associadas a comunidades judaicas da Península Ibérica e do Norte da África.

Para a diretora de Curadoria e Participação do MUJ, Patricia Wagner, levar a exposição a Manaus permite que a própria pesquisa seja ampliada pelo contato com as comunidades retratadas.

“É na escuta do público local, de suas histórias e leituras, que essa investigação pode ganhar novos contornos e continuar se desdobrando”, afirma.

Foto: Bruno Sena

Serviço

Exposição: Judeus na Amazônia
Período: 29 de agosto a 6 de dezembro de 2026
Local: ICBEU Manaus — avenida Joaquim Nabuco, 1286, Centro
Horários: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábados, das 9h às 13h
Entrada: gratuita
Informações: (92) 3198-7100

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