
Problema ameaça principalmente populações vulneráveis. (Foto: Alex Pazuello/Secom)
A seca deixou de ser um problema restrito a regiões áridas e passou a atingir áreas antes consideradas menos vulneráveis. Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a frequência e a duração das secas aumentaram quase 30% desde 2000.
O tema será discutido na COP17 de Combate à Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, entre 17 e 28 de agosto. A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, defende ações antecipadas para reduzir os impactos sobre comunidades e economias.
Até 2050, três em cada quatro pessoas poderão ser afetadas pela seca. A demanda global por água também pode superar a oferta em até 40% até 2030.
No Brasil, as cinco regiões registraram algum nível de seca em julho de 2026. Pelo menos 157 municípios enfrentaram seca severa, com impactos sobre a umidade do solo, a vegetação e a agricultura. Segundo o Cemaden, a tendência é de agravamento nos próximos meses devido à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas.
As populações que dependem diretamente dos recursos naturais, como indígenas, ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares, estão entre as mais afetadas.
Na Amazônia, as secas históricas de 2023 e 2024 provocaram baixos níveis dos rios, isolamento de comunidades, interrupções no transporte fluvial e dificuldades no acesso a alimentos e medicamentos.
Segundo a Coiab, secas e queimadas ameaçam os territórios e os modos de vida dos povos indígenas. No monitoramento do Cemaden, o número de territórios indígenas afetados por seca severa passou de três, em junho, para 17, em julho.
Além de mais frequentes e prolongadas, as secas também podem ocorrer de forma rápida. Conhecidas como “secas-relâmpago”, elas começam em poucos dias ou semanas, geralmente acompanhadas por temperaturas elevadas, e podem agravar a aridez e aumentar o risco de queimadas.
A previsão de um El Niño mais intenso entre agosto e outubro também aumenta a preocupação. O fenômeno pode reduzir as chuvas e elevar as temperaturas em regiões do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, favorecendo secas prolongadas e incêndios.
A COP17 deve discutir medidas como monitoramento, sistemas de alerta precoce, recuperação de áreas degradadas, gestão da água e adaptação das populações.
Para especialistas, o desafio é agir antes que a seca se transforme em uma emergência, ampliando investimentos e a cooperação entre países para enfrentar os efeitos da crise climática.
Agência Brasil
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