16/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17

Publicado em 16 de agosto, 2026

Fiscalização é intensificada em Manicoré para conter impactos da estiagem e queimadas ilegais

Problema ameaça principalmente populações vulneráveis. (Foto: Alex Pazuello/Secom)

A seca deixou de ser um problema restrito a regiões áridas e passou a atingir áreas antes consideradas menos vulneráveis. Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a frequência e a duração das secas aumentaram quase 30% desde 2000.

O tema será discutido na COP17 de Combate à Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, entre 17 e 28 de agosto. A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, defende ações antecipadas para reduzir os impactos sobre comunidades e economias.

Até 2050, três em cada quatro pessoas poderão ser afetadas pela seca. A demanda global por água também pode superar a oferta em até 40% até 2030.

No Brasil, as cinco regiões registraram algum nível de seca em julho de 2026. Pelo menos 157 municípios enfrentaram seca severa, com impactos sobre a umidade do solo, a vegetação e a agricultura. Segundo o Cemaden, a tendência é de agravamento nos próximos meses devido à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas.

Impactos na Amazônia

As populações que dependem diretamente dos recursos naturais, como indígenas, ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares, estão entre as mais afetadas.

Na Amazônia, as secas históricas de 2023 e 2024 provocaram baixos níveis dos rios, isolamento de comunidades, interrupções no transporte fluvial e dificuldades no acesso a alimentos e medicamentos.

Segundo a Coiab, secas e queimadas ameaçam os territórios e os modos de vida dos povos indígenas. No monitoramento do Cemaden, o número de territórios indígenas afetados por seca severa passou de três, em junho, para 17, em julho.

Secas mais rápidas e intensas

Além de mais frequentes e prolongadas, as secas também podem ocorrer de forma rápida. Conhecidas como “secas-relâmpago”, elas começam em poucos dias ou semanas, geralmente acompanhadas por temperaturas elevadas, e podem agravar a aridez e aumentar o risco de queimadas.

A previsão de um El Niño mais intenso entre agosto e outubro também aumenta a preocupação. O fenômeno pode reduzir as chuvas e elevar as temperaturas em regiões do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, favorecendo secas prolongadas e incêndios.

COP17

A COP17 deve discutir medidas como monitoramento, sistemas de alerta precoce, recuperação de áreas degradadas, gestão da água e adaptação das populações.

Para especialistas, o desafio é agir antes que a seca se transforme em uma emergência, ampliando investimentos e a cooperação entre países para enfrentar os efeitos da crise climática.

Agência Brasil

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